A capital paranaense entrou na rota da tecnologia estratégica ao receber, pela primeira vez, um dos polos do Exercício Guardião Cibernético 8.0 (EGC). O evento, considerado o maior treinamento de segurança digital do Hemisfério Sul, começou nesta segunda-feira (21) e segue até sexta-feira (25) com a participação de 240 instituições em todo o país para simular ataques e testar respostas a incidentes.
Integração multissetorial na capital
Na etapa de Curitiba, mais de 40 organizações integram a programação oficial. O grupo reúne companhias de setores essenciais como energia, telecomunicações, transportes, saúde e saneamento, além de universidades e centros de pesquisa. Entre as entidades confirmadas estão Copel, Celepar, Ligga, Hospital Erasto Gaertner, Sanepar, Nissan, Renault, Viasoft, Copacol, Unimed Curitiba, UFPR, UTFPR e Senai.
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná também comanda a participação de órgãos estaduais e federais parceiros. A lista inclui a Polícia Federal, Procuradoria-Geral do Estado, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Departamento de Inteligência do Estado, Instituto de Identificação, polícias Militar, Civil, Penal e Científica.
Infraestrutura avançada para simulações
As atividades na capital ocorrem no Centro de Realidade Estendida da PUCPR. O local foi estruturado por meio do Projeto Córtex, desenvolvido em conjunto com o Instituto Synapse. O espaço dispõe de 18 ambientes imersivos, incluindo uma Arena Digital com tela semiesférica de 14 metros para projeções em 180 e 360 graus.
“A realização do Guardião Cibernético em Curitiba aproxima, em um mesmo ambiente, empresas, universidades, órgãos públicos e instituições de segurança que atuam em diferentes setores da sociedade. Essa diversidade é importante porque os desafios relacionados à segurança digital não estão restritos a uma única área. O exercício cria um espaço de integração para que essas organizações compartilhem experiências e conheçam diferentes formas de lidar com situações de crise cibernética”, diz Cid Vianna, diretor do Projeto Córtex.
Estratégia e negócios na era digital
Durante os cinco dias de programação, os profissionais passam por treinamentos práticos que envolvem tanto a contenção técnica de ameaças quanto a gestão estratégica de crises. As simulações ocorrem em ambientes virtuais controlados, garantindo a segurança dos sistemas reais enquanto testam a capacidade de resposta das equipes.
“A digitalização da economia tornou a cibersegurança uma questão estratégica para empresas de todos os setores. Quanto maior a dependência de dados, sistemas e inteligência artificial, maior também é a necessidade de proteção. Para o Paraná, desenvolver competências nessa área significa não apenas aumentar a segurança das organizações, mas também abrir espaço para inovação, novos negócios e investimentos”, afirma Georges Kalache Netto, CEO da Westwood Capital.
O evento também recebe visitas de autoridades, como o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), empresários e estudantes interessados no setor tecnológico.
“A lógica é semelhante à de outros tipos de emergência: quanto mais preparada estiver a estrutura antes de um incidente, maior será a capacidade de resposta quando ele acontecer”, explica o general Barbosa, comandante de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro.
Parcerias e futuro da segurança digital
Com o encerramento desta edição já projetando o futuro, Curitiba teve a sua participação confirmada para a próxima edição do treinamento nacional. O envolvimento da academia reforça a importância da capacitação contínua para proteger infraestruturas vitais.
“O Guardião Cibernético está alinhado à necessidade de proteção das infraestruturas críticas do País, que envolvem setores como energia, telecomunicações, finanças, saúde e datacenters. A participação da PUCPR permite aproximar a academia de diferentes setores da sociedade e criar um ambiente de capacitação e troca de conhecimento sobre segurança cibernética”, afirma o professor Altair Santin, da Escola Politécnica da PUCPR.
O Projeto Córtex, pilar tecnológico que viabiliza a estrutura utilizada no evento, é fruto da cooperação entre o Instituto Synapse, a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e a Fundação Araucária, focando no avanço de pesquisas em inteligência artificial, tecnologias quânticas e cibersegurança.








