A corrida pelo Palácio do Planalto teve um novo capítulo nesta sexta-feira (18/09), com a realização de um confronto direto na capital paulista. No entanto, o evento acabou esvaziado pelo não comparecimento dos nomes que figuram na liderança das intenções de voto, transformando o encontro em uma sabatina centrada em três postulantes: Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP).
Divergências profundas sobre a condução da economia
O campo econômico concentrou os maiores contrastes entre os participantes. Defendendo um viés liberal, Zema sustentou a necessidade de privatizar instituições financeiras e empresas públicas. O governador mineiro citou o episódio envolvendo o BRB-Master para ilustrar o peso da interferência política nas estatais, além de defender o afastamento do Brasil em relação aos Brics e a diminuição da dependência comercial com a China.
Em contrapartida, Samara Martins focou suas propostas na ampliação dos direitos dos trabalhadores. A candidata propôs o fim da jornada 6×1 e a duplicação do salário mínimo, além de apoiar o fortalecimento do Bolsa Família. Ao contestar o pagamento de juros da dívida pública, a presidenciável apontou o “bolsa-banqueiro” como um entrave estrutural para o país.
Já Cury direcionou suas críticas à recente decisão do Executivo de elevar o piso do Bolsa Família na quinta-feira (17/09), a pouco mais de duas semanas da votação. O postulante reprovou o timing eleitoral e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utiliza “a dor dos outros para ganhar uma cadeira de presidente”.
Críticas ao Judiciário e mudanças institucionais
O Supremo Tribunal Federal também foi alvo de questionamentos durante a sabatina. Zema declarou que a Corte máxima do país virou um “balcão de negócios”. Na mesma linha, Cury reprovou a atuação do tribunal no desdobramento do caso Banco Master, momento em que mencionou tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.
Na busca por soluções institucionais, o representante do Avante propôs a implementação do semipresidencialismo no Brasil, dividindo as atribuições estratégicas sob o comando do presidente e deixando a administração rotineira com um primeiro-ministro. Por outro lado, Samara enfatizou a área social e educacional, cobrando mais investimentos em tecnologia, universidades públicas e pesquisas, de modo que as inovações patenteadas fiquem a serviço da população.
O formato do debate precisou ser adaptado em razão das faltas. Além de Lula e Flávio Bolsonaro, também deixaram de comparecer os candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), alterando a dinâmica das discussões a 17 dias do primeiro turno.








