O mês de setembro tem sido desafiador para as bolsas americanas devido à escalada dos juros nos Estados Unidos, mas grandes instituições mantêm o otimismo com as companhias de tecnologia.
Perspectivas para o último trimestre
Scott Rubner, chefe de estratégia de ações e derivativos da Citadel Securities, avalia que o pessimismo com inteligência artificial e a redução das posições dos investidores devem se inverter a partir de outubro, primeiro em tecnologia e depois no restante do mercado. Em anos de eleições de meio de mandato, como 2026, o S&P 500 sobe em média 5,6% entre o fim de setembro e o fim do ano, segundo levantamento da Citadel com dados desde 1930.
“Três meses atrás, o risco era que todos estivessem na mesma operação [em IA]. Cada vez mais, o risco é que todos tenham migrado para o mesmo lado da conversa”, escreve o estrategista em nota a clientes.
Esse cenário ocorre paralelamente à postura mais firme do Federal Reserve. O presidente da instituição, Kevin Warsh, tem reforçado o alerta contra a inflação, e a maioria dos dirigentes projeta novas elevações nas taxas ao longo deste ano.
Balanços e fundamentos do setor
Apesar do cenário macroeconômico adverso, o principal argumento a favor da tecnologia está nos resultados corporativos. Em relatório de 17 de setembro, o economista do UBS Arend Kapteyn aponta que o setor responde por 64% do aumento das projeções de lucro nos EUA nos últimos três meses, e que a expectativa de crescimento das empresas de tecnologia americanas, de 45%, supera em mais que o dobro a média do mercado.
Com o avanço dos lucros do S&P 500 em torno de 30% nos dois primeiros trimestres, o Goldman Sachs considera exagerados os temores de uma “bolha de lucros” e prevê desaceleração gradual, sem colapso.
“A precificação do mercado embute uma perspectiva de crescimento contínuo dos lucros, mas um ceticismo saudável quanto à sustentabilidade da rentabilidade atual”, afirma o estrategista Ben Snider em relatório. O banco projeta alta de 14% do S&P 500 em 12 meses, para cerca de 8.700 pontos.
Riscos e estratégias de diversificação
O escritório de investimentos (CIO) da gestão de fortunas do UBS lembra ainda que desde 1954 o S&P 500 sobe em média 10,8% no ano seguinte à primeira alta de juros. Como o mercado já precifica quase quatro altas nos próximos 12 meses, o banco avalia que a maior parte do ajuste nas ações pode já ter ocorrido.
Contudo, Kapteyn ressalta que o ciclo de lucros segue muito concentrado nos beneficiários dos investimentos em IA, com poucos sinais de expansão para outros setores. O Goldman espera que esse impulso comece a perder força em 2027 e projeta alta de 11% nos lucros no ano, abaixo do consenso de 19%, enquanto estrategistas do Bank of America alertam que o posicionamento dos investidores segue otimista demais.
Para Rubner, quedas até o fim de setembro devem ser aproveitadas para voltar aos segmentos centrais do mercado, enquanto o UBS recomenda diversificar entre regiões e classifica como atrativas as bolsas da zona do euro e do Japão.
Como investir a partir do Brasil
No mercado nacional, o acesso a essas oportunidades internacionais ocorre por meio de BDRs. A carteira recomendada de BDRs reúne indicações em que a Micron (MUTC34) lidera, seguida por Alphabet (GOGL34), Amazon (AMZO34), Microsoft (MSFT34) e Nvidia (NVDC34).
Outra alternativa são os BDRs de ETFs. A XP inclui em sua carteira o BAIQ39, BDR do ETF AIQ, focado em inteligência artificial. Já o Itaú BBA aposta na Ásia com o BEWT39, da bolsa de Taiwan, e o BEWY39, da Coreia do Sul, ambos com exposição ao dólar.
“Se a liderança da IA voltar a se ampliar para os lucros, o rally pode se estender muito além dos nomes que lideraram a primeira etapa [de alta]”, conclui Rubner, embora admita volatilidade no curto prazo.








