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Ex-pesquisadores da deepmind criam startup de inteligência artificial avaliada em bilhões

Com apenas um mês de existência, a britânica Emulate negocia aporte milionário liderado por fundos internacionais de venture capital.

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Ex-pesquisadores da Google DeepMind criam startup de inteligência artificial avaliada em R$ 19,1 bilhões

Fundada há apenas um mês por ex-pesquisadores da Google DeepMind, a britânica Emulate está perto de concluir uma rodada de financiamento capaz de movimentar até US$ 700 milhões, o equivalente a R$ 3,6 bilhões. Com o capital captado, a empresa pode alcançar uma avaliação de mercado estimada em US$ 3,7 bilhões, cerca de R$ 19,1 bilhões.

Negociações avançadas com grandes fundos

Atualmente em estágio de negociações avançadas com potenciais investidores, a companhia é fruto do trabalho de Jack Parker-Holder, Matthew McGill e Philip Ball, que constituíram o negócio em agosto. Os três participaram anteriormente do desenvolvimento dos modelos de mundo Genie, criados pela empresa. A britânica Index Ventures e a estadunidense Lightspeed Venture Partners, originária do Vale do Silício, devem liderar conjuntamente a operação financeira.

Atualmente, a Emulate opera em modo furtivo, mantendo discrição e sem nenhuma presença pública oficial. O site Sifted informou anteriormente que Parker-Holder e sua equipe estavam buscando levantar um volume significativo de capital.

Aposta em modelos de mundo e o impacto no mercado

Os fundadores da Emulate trabalharam no desenvolvimento do Genie, modelo capaz de gerar vídeos realistas e ambientes 3D interativos a partir de um comando curto. O lançamento do Genie, em janeiro, provocou forte impacto na indústria de videogames e eliminou bilhões de dólares do valor de mercado de empresas como Take-Two, Roblox e Unity.

Os chamados modelos de mundo são treinados para compreender e reproduzir espaços físicos. O campo é considerado uma nova fronteira da pesquisa em inteligência artificial e ainda é menos concorrido do que o segmento de grandes modelos de linguagem que alimentam sistemas, como ChatGPT, Gemini e Claude. A aposta nesse tipo de tecnologia coloca a Emulate em mercado que desperta interesse de investidores, justamente por representar uma área diferente daquela dominada pelos grandes modelos de linguagem.

Tendência de neo-labs e valorização de fundadores

A possível rodada da Emulate ocorre poucas semanas depois de o cofundador da DeepMind, Sir Demis Hassabis, anunciar que deixaria o cargo de presidente-executivo do laboratório de IA para assumir a presidência do conselho. Hassabis foi considerado fundamental para o desenvolvimento da capacidade de pesquisa em inteligência artificial do Google em Londres, empresa que adquiriu a DeepMind em 2014.

Essa movimentação faz parte de uma tendência maior. Empresas criadas por ex-pesquisadores de grandes companhias de IA, conhecidas como neo-labs, conseguiram atrair bilhões de dólares em investimentos ao longo deste ano. Essas companhias em estágio inicial alcançam avaliações elevadas principalmente com base na reputação de seus fundadores, muitas vezes antes mesmo de desenvolverem seus primeiros produtos, enquanto investidores buscam exposição a promessas do setor.

Vários desses grupos foram criados por ex-pesquisadores do Google. No mês passado, o cientista-chefe da companhia, Jeff Dean, anunciou sua saída para fundar sua própria startup de IA nos Estados Unidos, a Discovery Loop. A Emulate é o terceiro neo-lab britânico criado neste ano a partir dos escritórios londrinos da DeepMind a captar centenas de milhões de dólares. O movimento mostra como profissionais de destaque em pesquisa de IA continuam atraindo o interesse de investidores de capital de risco, que buscam financiar empresas capazes de se tornar grandes nomes do setor.

Outros aportes bilionários no setor

A movimentação envolvendo ex-integrantes da DeepMind não se limita à Emulate. O ex-pesquisador da empresa David Silver levantou cerca de US$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 5,15 bilhões, para sua startup Ineffable Intelligence, em operação que avaliou o negócio em US$ 5 bilhões, cerca de R$ 25,7 bilhões. Já uma equipe formada por ex-engenheiros da DeepMind e da OpenAI captou mais de US$ 600 milhões, cerca de R$ 3,09 bilhões, em rodada que avaliou a empresa Recursive Superintelligence em US$ 4 bilhões, o equivalente a R$ 20,6 bilhões. No caso da Emulate, o aporte colocaria a organização entre as iniciativas mais valiosas do segmento criadas recentemente por ex-integrantes de grandes laboratórios.

Para esses grupos, dois dos maiores desafios financeiros são justamente os recursos necessários para competir no desenvolvimento tecnológico. O primeiro é financiar o poder computacional necessário para desenvolver modelos de IA. O segundo é contratar pesquisadores de destaque em mercado altamente competitivo.

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