A Polícia Federal (PF) revelou que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, é alvo de uma investigação que envolve indícios de lavagem de dinheiro e favorecimento a uma refinaria. Entre os detalhes mais chocantes está a menção a uma compra de caviar no valor de R$ 10.500, que, segundo a PF, foi paga por uma empresa ligada a terceiros.
Ambiente Favorável e Relações Pessoais
De acordo com o relatório de 112 páginas elaborado pela PF, o ex-governador criou um “ambiente institucional favorável” para a Refit, mantendo contato frequente com o empresário Ricardo Magro e outros representantes da refinaria. A investigação aponta que Castro tratava Magro como um amigo e trocava mensagens com Marcos Joaquim Gonçalves Alves, advogado que atuava nos interesses da Refit, sobre questões administrativas da empresa.
Conexões Diretas com Demandas da Refinaria
As conversas entre Castro e os representantes da Refit indicam que ele estava diretamente envolvido em resolver questões fiscais da empresa. Em uma troca de mensagens, Castro afirmou: “Eu toco por aqui”, o que para os investigadores sugere um “tratamento diferenciado”. Além disso, a apuração revelou que o ex-governador acompanhou de perto requerimentos da Refit e pressionou por soluções.
Licenciamento Ambiental e Articulações
A investigação também trouxe à tona esforços por parte da equipe de Castro para renovar a licença ambiental da Refit. Mensagens entre o então secretário estadual de Ambiente, Bernardo Rossi, e Renato Bussiere, presidente do Inea, mostraram articulações para facilitar a aprovação de requisitos técnicos e obter apoio de membros da comissão responsável.
Pagamento de Caviar e Despesas Pessoais
Outro ponto crucial da investigação é a compra de caviar no valor de R$ 10.500, cujo pagamento foi feito pela empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, de Antônio Carlos da Conceição Santos, também conhecido como Pipo. A PF considera essa transação um indício de que Castro utilizou intermediários para cobrir despesas pessoais.
Imóveis e Controle Patrimonial
Além das despesas com caviar, a PF identificou que Castro tinha controle sobre uma casa de luxo em Petrópolis, registrada em nome de terceiros. Mensagens trocadas por ele revelaram seu envolvimento em reformas e até no projeto de uma adega avaliada em R$ 245 mil. O arquivo do projeto continha metadados com o nome “AP Adega Claudio Castro”.
Em relação à sua moradia na Barra da Tijuca, onde pagava um aluguel de R$ 10.000, a PF notou que imóveis semelhantes eram alugados por valores entre R$ 25.000 e R$ 29.000. A empresa proprietária da unidade adquiriu o imóvel por R$ 3,48 milhões, mas só abriu sua primeira conta bancária quase três anos depois. Esses elementos levantam suspeitas sobre o uso de estruturas empresariais para ocultar bens e financiar despesas pessoais.
Busca por Respostas
A assessoria do ex-governador, assim como outros envolvidos na investigação, foi contatada para comentar as alegações. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O portal se compromete a atualizar as informações assim que novas declarações forem recebidas.
Em meio a essas revelações, a investigação da PF destaca a complexidade das relações entre o setor público e privado, evidenciando a necessidade de maior transparência nas ações de autoridades públicas.








