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Nepal intensifica buscas por centenas de trabalhadores em túneis bloqueados

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Equipes do Nepal procuram centenas de pessoas presas em túneis

Na última segunda-feira (31), equipes de resgate do Nepal, com apoio de especialistas da China e da Índia, intensificaram as operações para localizar centenas de trabalhadores que estão supostamente presos em túneis de projetos hidrelétricos. A região do Himalaia sofreu uma enchente devastadora na semana passada, que causou destruição significativa em várias cidades e vilarejos, tanto no Nepal quanto na China.

Desastres naturais e suas consequências

A enxurrada, que ocorreu na quarta-feira (26), foi resultante do colapso de uma geleira e deixou um saldo trágico: mais de 900 mortos e cerca de 5 mil desaparecidos. A força da água trouxe uma mistura de gelo, rochas e lama, criando um cenário de devastação na fronteira entre o Nepal e o Tibete. A situação foi tão crítica que muitos corpos, não identificados, foram enterrados em valas rasas devido à decomposição acelerada causada pelo clima úmido.

Foco nas operações de resgate

As autoridades locais estão concentrando seus esforços no resgate de 933 trabalhadores que se acredita estarem presos em 11 projetos hidrelétricos, especialmente em túneis localizados nos distritos de Rasuwa e Nuwakot. Imagens divulgadas pelas equipes de resgate mostram máquinas pesadas trabalhando sob a luz de holofotes em meio à escuridão, enquanto soldados tentam encontrar acesso a um dos túneis.

O Exército do Nepal divulgou que as operações de busca contam com explosões controladas e escavadeiras, além de holofotes para iluminar as áreas de difícil acesso. Até o momento, três corpos foram recuperados de dois túneis, mas várias seções ainda estão soterradas e estão sendo minuciosamente vasculhadas.

Desafios enfrentados

De acordo com o porta-voz do Exército nepalês, Raja Ram Basnet, a grande quantidade de escombros acumulados representa um desafio significativo para as operações de resgate. “Nosso foco principal é abrir os túneis”, afirmou ele à imprensa.

Até a última atualização, as autoridades confirmaram 903 mortes e 4.247 pessoas desaparecidas, incluindo os 933 trabalhadores. No lado chinês, 16 mortes foram registradas na região de Gyirong, com 546 desaparecidos.

Impactos de longo prazo e recuperação

A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas foram afetadas por esse desastre, que as autoridades chinesas associaram a mudanças climáticas. Desde o início do século XXI, o Nepal tem visto um aumento significativo em projetos hidrelétricos, buscando utilizar seus vastos recursos hídricos para atender à demanda de energia interna e explorar oportunidades de exportação de eletricidade para a Índia.

O primeiro-ministro Balendra Shah descreveu a enchente como um “desastre natural sem precedentes e devastador”, ressaltando a dificuldade em realizar uma avaliação completa dos danos. Pequim também relatou que 261 cidadãos estrangeiros de 23 países estão desaparecidos na região tibetana.

Embora o governo nepalês tenha declarado que não necessita de assistência internacional para as operações de resgate, o país tem buscado ajuda técnica dos seus vizinhos, Índia e China, devido à sua experiência em resgates em situações de desabamento.

As operações de resgate enfrentaram interrupções frequentes devido a condições climáticas adversas e a preocupação com um lago formado pela inundação, que apresenta risco de transbordamento e novas enchentes. A televisão estatal chinesa informou que as geleiras ao redor de uma cratera de impacto, criada após o colapso da geleira, continuam em risco de desabamento.

Em meio a essa tragédia, as equipes de resgate trabalham incansavelmente para salvar vidas e mitigar os impactos desse desastre natural devastador.

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