Paulo Roberto da Silva, de 59 anos, conseguiu reverter um ciclo de dificuldades e, após passar dois anos vivendo nas ruas de Curitiba, hoje leva uma vida estável como auxiliar de padeiro. Atualmente, ele reside de aluguel, mantém contato com sua irmã e possui uma renda fixa, resultado do suporte da Fundação de Ação Social (FAS).
Transformação iniciada com um pedido de ajuda
Em março de 2025, Paulo decidiu que era hora de mudar seu destino e procurou a Casa de Passagem Padre Pio, administrada pela FAS. “Eu não queria mais aquela vida louca. Fui até a Padre Pio e pedi ajuda. Precisava de uma ocupação”, recorda ele. A assistente social Cristina Alves o acolheu e ajudou a elaborar um plano de ação para sua recuperação.
Acompanhamento e suporte especializado
O plano incluía atendimento de saúde mental no Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) e a busca por um emprego. “Paulo chegou com a firme vontade de mudar, e juntos construímos um caminho possível. Ele se comprometeu com as ações e, aos poucos, recuperou sua autonomia”, destaca Cristina.
Durante seis meses, Paulo recebeu abrigo em uma unidade de acolhimento e frequentou o CAPs por quatro meses. Em setembro de 2025, foi reintegrado ao mercado de trabalho em uma grande rede de supermercados, onde já havia atuado anteriormente. “Estou muito feliz por ter retornado ao trabalho, em uma profissão que amo”, afirma.
Conquista de estabilidade e reestabelecimento de laços
Após receber seu primeiro salário, Paulo se hospedou em um pequeno hotel, mas logo encontrou um quarto para alugar, a cerca de 20 minutos do trabalho, a fim de reduzir despesas. O acompanhamento da FAS é mensal, e em março de 2026, ele conseguiu restabelecer o contato com sua irmã, que inicialmente hesitou, mas ficou contente ao saber que Paulo havia superado sua dependência química. “Quando cheguei na casa dela, ela até brincou que eu estava gordo, já que as drogas me emagrecem”, conta.
Uma trajetória de desafios e superações
A vida de Paulo não foi fácil desde a infância. Natural de Londrina, ele se mudou para Curitiba ainda criança para tratamento médico, mas devido a dificuldades financeiras, foi deixado em um educandário aos 7 anos. Mais tarde, frequentou instituições de ensino e trabalhou em diversas áreas, mas o uso de drogas o levou a perder a casa e a viver nas ruas.
O primeiro atendimento da FAS ocorreu em dezembro de 2022, através de uma abordagem social. Desde então, Paulo alternou entre dormir nas ruas e buscar abrigo em casas de passagem, enfrentando resistência em aceitar ajuda.
Novas ocupações para fortalecer a recuperação
Além do trabalho e do tratamento, a leitura se tornou uma ferramenta fundamental na vida de Paulo. Ele começou a ler livros para manter a mente ocupada e evitar recaídas. “Era uma forma de me distrair quando sentia vontade de usar drogas novamente”, explica. Ele também agradece às orações das irmãs da Casa da Acolhida São José e ao apoio da FAS. “A fundação e as irmãs foram essenciais na minha recuperação”, afirma.
O presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, enfatiza a importância de uma rede de apoio integrada que permita a reintegração de pessoas em situação de vulnerabilidade. “A história de Paulo ilustra que a superação é possível quando há acolhimento e oportunidades. A Prefeitura trabalha para criar condições que ajudem as pessoas a reconstruírem suas vidas”, conclui.
Hoje, Paulo planeja continuar no trabalho, garantir o pagamento do aluguel e ter uma alimentação adequada, refletindo seu desejo de estabilidade e autonomia.








