As eleições de 2026 trazem um novo panorama para as candidaturas jovens ao Legislativo, com um aumento notável de homens brancos e uma diminuição na representação de mulheres negras. Este movimento interrompe uma trajetória recente de maior diversidade entre candidatos com até 29 anos para os cargos de deputado estadual e federal.
Queda na representatividade feminina
Após três eleições em que a paridade entre gêneros parecia estar próxima, as mulheres jovens agora representam apenas 40,5% das candidaturas registradas, uma queda em relação aos 49,1% de 2022. A paridade observada no último pleito abrangia também diferentes espectros ideológicos, com mulheres constituindo 51% das candidaturas da esquerda e 48,3% da direita em 2022. Em 2026, esses números caíram para 46,7% à esquerda e 37,5% à direita.
A ascensão do partido Missão
Um fator crucial para essa mudança é a entrada do partido Missão, que, em sua primeira participação, registrou 178 candidaturas jovens, representando 19,5% do total. A predominância masculina é marcante, com 70,8% dos candidatos da legenda sendo homens. Beatriz Besen, coordenadora do Monitor Jovem DX, destaca que essa nova força política altera significativamente o perfil das candidaturas jovens.
Mudanças no perfil racial e de gênero
O cenário racial também sofreu alterações, com a participação de mulheres negras caindo de 28,7% para 21,3% entre as candidaturas jovens. Em contrapartida, homens brancos aumentaram sua representação de 26,2% para 30,8%, consolidando-se como o maior grupo. Já homens negros passaram de 23,9% para 28%, enquanto mulheres brancas viram sua participação recuar de 19,8% para 18,1%.
Impacto das direitas na diversidade política
A antropóloga Elisa Guaraná de Castro acredita que a maior presença de partidos de direita e extrema direita tem influenciado negativamente a participação feminina. A ascensão do Missão desbancou o PSOL, que anteriormente liderava o número de candidaturas jovens. O PSOL, que havia registrado 121 candidaturas em 2014, agora tem apenas 52.
Guilherme Cortez, deputado estadual pelo PSOL, considera que essa mudança não reflete um desinteresse do partido pela juventude, mas uma estratégia da direita para conquistar o público jovem. “A direita busca uma renovação geracional, focando em jovens com perfis específicos”, diz ele.
Desigualdade na representação
Apesar da diversidade observada nas candidaturas entre 2014 e 2022, a representação efetiva ainda é desigual. Mulheres jovens eleitas aumentaram de 9,4% para 37,5%, mas a maioria dos jovens eleitos continua sendo composta por pessoas brancas, com 68,8%. Beatriz Besen ressalta que as desigualdades persistem, especialmente em relação à raça.
Desafios para as mulheres na política
Dany Oliveira, jovem candidata da UP, aponta que as condições materiais dificultam a participação de mulheres, especialmente negras, na política. A precarização do trabalho e a violência de gênero são fatores que afastam muitas delas do engajamento político. “O machismo na sociedade faz com que seja difícil para as mulheres se posicionarem”, afirma.
Um futuro incerto para as candidaturas jovens
No total, as candidaturas jovens representam apenas 4,7% do total de registros para o Legislativo em 2026, enquanto a faixa etária de 16 a 29 anos corresponde a 21,55% do eleitorado. Embora a situação atual mostre um retrocesso em relação à diversidade, as possibilidades de mudanças ainda existem, uma vez que parte dos registros poderá ser indeferida pelo TSE. Se a tendência se confirmar, a eleição de 2026 pode marcar um retrocesso significativo na representação jovem e diversificada, com um aumento na presença masculina e uma diminuição de mulheres negras na política.








