As exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentaram uma queda significativa de 9,7% entre janeiro e agosto de 2026, refletindo o impacto das novas tarifas aplicadas pelo governo norte-americano. Esse recuo representa uma redução de aproximadamente US$ 2,6 bilhões, totalizando US$ 24,1 bilhões enviados ao mercado americano no período.
Novas tarifas e suas consequências
As novas tarifas, que incluem uma sobretaxa de 25% e outra de 12,5%, foram anunciadas pelo governo Trump no final de julho, com acusações de práticas comerciais desleais e a falta de medidas para coibir produtos feitos com trabalho forçado. Tais medidas causaram um abalo nas relações comerciais entre o Brasil e os EUA, levando a uma reabertura de negociações entre representantes de ambos os países em busca de soluções.
Alta em agosto, mas queda acumulada permanece
Embora agosto tenha apresentado uma recuperação nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, somando cerca de US$ 3,19 bilhões e um crescimento de 12,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, esse aumento não foi suficiente para reverter a tendência de queda acumulada. O aumento da receita foi impulsionado pela valorização dos produtos, com preços médios subindo 8,6%, enquanto o volume físico enviado caiu 3,1%.
Balança comercial brasileira ainda positiva
Apesar da diminuição nas exportações para os EUA, o comércio exterior brasileiro continua a apresentar resultados positivos. No acumulado de 2026, as exportações totais do país atingiram US$ 250,86 bilhões, um crescimento de 10,3% em comparação ao mesmo período de 2025. As importações também aumentaram, somando US$ 195,54 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 55,32 bilhões.
Setores que impulsionam as exportações
O desempenho das exportações brasileiras é puxado principalmente pela indústria extrativa, com um crescimento de 19,6%, além do avanço de 9,5% da agropecuária e 6,6% da indústria de transformação. Produtos como petróleo bruto, soja, minério de cobre, ouro, carne bovina e frango estão entre os principais responsáveis por esses números positivos.
Busca por novos mercados
Diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, o Brasil tem intensificado esforços para diversificar seus mercados. Em agosto, as exportações para a União Europeia aumentaram 46,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto as vendas para a China tiveram uma queda de 10,9%. No entanto, no acumulado de 2026, as exportações para a China cresceram 15%, atingindo US$ 77,07 bilhões.
A situação atual demonstra que, mesmo com o tarifaço, o Brasil mantém um bom desempenho nas exportações gerais, mas as vendas para os EUA estão perdendo relevância no comércio exterior brasileiro. As negociações para a retirada das tarifas seguem em andamento, sinalizando um possível caminho para a recuperação das relações comerciais.








