Com a chegada do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) marcada para este domingo (8), a apreensão costuma tomar conta dos participantes. A tentativa desesperada de absorver conteúdo acumulado nas últimas horas, somada às pressões internas e externas, pode desencadear quadros profundos de estresse e até depressão.
A origem da tensão pré-prova
Do ponto de vista psicológico, o nervosismo brota da sensação de julgamento sobre o conhecimento adquirido e da relevância que o teste possui para a carreira profissional.
A professora e psicóloga Wilma Amorim pontua que o exame representa a porta de entrada para a universidade e a realização de planos de longo prazo, provocando medo de errar e cobranças exageradas. No entanto, ela esclarece que um grau moderado de nervosismo é normal e até benéfico.
“É bom deixar claro que o problema não é sentir ansiedade, mas quando ela se torna intensa, a ponto de prejudicar a concentração, a questão do sono, da memória, é aí que se torna um problema. Mas é benéfica essa ansiedade de friozinho na barriga”, avalia.
O perigo do estudo exaustivo
Nas vésperas da avaliação, é comum que muitos alunos abandonem o descanso para tentar estudar mais, sacrificando noites de sono e refeições adequadas.
Para Stephanie Zanini, especialista em psicologia positiva, essa prática afeta negativamente o rendimento cognitivo. Nas 24 horas anteriores ao exame, a recomendação é abandonar os livros e buscar atividades prazerosas ao lado de pessoas queridas, visto que a capacitação teórica ocorreu durante os meses anteriores.
“Não vai adiantar você tentar ler todos os livros e decorar todas as fórmulas nas últimas 24 horas antes do Enem. Esse é o momento de você ir num cinema, de você conseguir relaxar, de você comer uma comidinha que você gosta, estar com quem você ama. Porque o que você tinha que aprender, você já fez nas últimas semanas, nos últimos anos”, explica.
Logística e redes sociais
Além do repouso, as especialistas aconselham atenção à saúde física, com boa alimentação e sono regulado. Organizar a documentação e conferir o local de prova com antecedência evitam surpresas desagradáveis e diminuem o nervosismo de última hora.
Outra recomendação importante é diminuir o uso de telas. As plataformas digitais frequentemente estimulam comparações prejudiciais entre os concorrentes, gerando exaustão mental e sentimentos de inadequação.
O papel da família
Os responsáveis exercem uma função decisiva na diminuição da pressão sobre os candidatos. Os profissionais indicam uma postura de escuta empática, que reconheça a dedicação do aluno ao longo de todo o período letivo.
É preciso evitar frases que aumentem a cobrança por excelência, a exemplo de “você precisa passar” ou “estamos investindo em você”. Conforme ressalta Amorim, exigências diretas intensificam o receio de frustrar as expectativas e aumentam o esgotamento psicológico.
“O estudante precisa de apoio, de incentivo e segurança emocional. A família deve transmitir essa confiança, sabendo que houve uma preparação e que esse sentimento da família querer o melhor, não pode acabar prejudicando o estudante, nesse momento”, afirmou.
Por fim, manter uma rotina equilibrada e focar no autocuidado são as melhores estratégias para encarar o exame com serenidade e confiança.








