O comitê responsável pela vigilância de óbitos maternos, infantis e fetais em Paranaguá completou três anos de atividades voltadas à melhoria da assistência médica local. Vinculado diretamente à Secretaria Municipal de Saúde, o grupo atua na investigação detalhada de ocorrências para qualificar os serviços prestados à população.
Metodologia de investigação e indicadores
O processo de análise envolve a avaliação individual de cada circunstância, considerando desde o histórico de saúde familiar até a estrutura dos atendimentos prestados pelas equipes. O objetivo é verificar se os desfechos poderiam ter sido evitados e quais medidas preventivas caberiam em cada cenário.
De acordo com o relatório técnico de 2025, o município contabilizou 34 falecimentos de crianças entre zero e quatro anos, sendo que 20 casos foram classificados como evitáveis conforme os parâmetros do Sistema Único de Saúde.
Desafios e perspectivas na rede municipal
Do total geral registrado, 29 ocorrências envolveram menores de um ano — com 18 classificações de evitabilidade —, enquanto a faixa de um a quatro anos registrou 5 casos, com 2 apontados como evitáveis por critérios epidemiológicos.
Para Bárbara Kulik Alleman Evangelista, coordenadora Materno-Infantil da Atenção Primária à Saúde, a apuração vai muito além dos números frios:
“Por trás de cada indicador existe uma história que precisa ser analisada com responsabilidade e atenção. O trabalho do Comitê é justamente olhar para cada ocorrência, compreender os fatores envolvidos e identificar oportunidades de melhoria na assistência. Essas investigações são fundamentais para orientar nossas equipes, fortalecer o acompanhamento das gestantes, das crianças e das famílias e aprimorar continuamente o cuidado oferecido pela rede municipal”, explica.
As conclusões obtidas nas reuniões do colegiado auxiliam no direcionamento de ações estratégicas, como o fortalecimento do pré-natal, a detecção precoce de gestações de alto risco e a sintonia entre os postos básicos de saúde e os hospitais.
O secretário municipal de Saúde, Daniel Fangueiro, avalia a trajetória do grupo:
“Completar três anos de atuação representa a continuidade de um trabalho essencial para a saúde pública. O Comitê nos permite olhar para os indicadores com responsabilidade, compreender os desafios da rede e transformar as investigações em estratégias de melhoria. Nosso compromisso é fortalecer cada vez mais a assistência, investir na qualificação das equipes e garantir que as informações produzidas orientem decisões que contribuam para proteger a vida das mães e das crianças”, ressalta.
Com o encerramento do ciclo de três anos, a iniciativa reforça o compromisso com a transparência e a eficácia das políticas públicas voltadas à proteção de mães e recém-nascidos na região.








