O coletivo criativo AWGE, ligado a A$AP Rocky, veio a público admitir falhas na checagem de conteúdos criados por inteligência artificial presentes no videoclipe de “Shroom Clouds“, lançado recentemente nas plataformas digitais.
Assunção de culpa pelo líder criativo
Em manifestação publicada nas redes sociais, o diretor criativo Gallardo assumiu o erro na supervisão dos recursos visuais que integraram a produção.
Segundo ele, a falha permitiu que o trabalho do artista visual Cache Bunny fosse apropriado sem autorização. “Quando algo assim acontece, como líder criativo, preciso assumir a responsabilidade”, escreveu. O profissional pontuou ainda que entrou em contato diretamente com Cache Bunny e manifestou interesse em futuras parcerias, enquanto A$AP Rocky optou pelo silêncio.
Origem das imagens contestadas
O fragmento sob escrutínio tem duração aproximada de seis segundos e exibe o cantor executando cambalhotas no interior de um túnel com efeitos caleidoscópicos. O registro original data de 2019 e teve como protagonista o atleta de parkour alemão Jason Paul, capturado por uma câmera de 360 graus em um campo de futebol americano, com direção de Ari Fararooy e Cache Bunny, responsável também pelos efeitos visuais.
Na análise comparativa, o gramado e as projeções de sombra do arquivo de 2019 permanecem inalterados na produção do rapper, destacando-se apenas a troca do corpo de Paul pelo de A$AP Rocky.
Repercussão entre os envolvidos
Cache Bunny levou a público as semelhanças durante o fim de semana por meio de postagens nos Stories do Instagram, relatando ter acumulado centenas de mensagens sobre o caso. “Não consigo entender por que não entraram em contato para licenciar o vídeo ou fazer uma versão própria inspirada nele”, afirmou, em declaração (via Stereogum).
Por sua vez, Jason Paul relatou ao PetaPixel manter admiração por A$AP Rocky e isentar de culpa tanto o músico quanto a gravadora, avaliando que a falha ocorreu em alguma etapa intermediária da produção. O atleta mencionou ter contatado o diretor do clipe, obtendo como retorno que o material original era antigo e o assunto estava fora de sua alçada.
Bastidores da produção e histórico
Com direção assinada por Rocky em parceria com Aisultan Seitov e Pietro Biz Biasia, o projeto audiovisual teve produção das empresas North of Now e Partizan. Os créditos oficiais no YouTube indicam a participação dos especialistas em IA Spike and Red e Ces, sendo que as imagens já sofriam questionamentos por parte de fãs no Reddit antes da repercussão formal.
A faixa musical, que conta com participações de reggie e Jeremih e produção de Sleeping Bear e Hector Delgado, foi disponibilizada em 16 de outubro, embora tenha sido apresentada ao público pela primeira vez em 2021 sob a alcunha de “Mushroom Clouds“.
Posicionamento prévio sobre inteligência artificial
A controvérsia ganhou tração adicional após o resgate de uma entrevista concedida por A$AP Rocky à Complex, na qual o artista declarou preferência por parcerias com músicos e produtores humanos. Na ocasião, ele pontuou que a IA serve como instrumento prático para funções específicas, a exemplo da separação de vocais e bases instrumentais, além de ressaltar que não condena quem utiliza ferramentas automatizadas para compor faixas completas.
O rapper relembrou o debate gerado por Tyga com o uso de tecnologia no álbum $tarface (2026) e por Fenix Flexin, cujo lançamento “Rubberz” alcançou a 58ª posição na Billboard Hot 100 como a primeira música integralmente produzida por inteligência artificial.
Contexto do lançamento
A canção “Shroom Clouds“ integra o repertório de Don’t Be Dumb – Disc 2, edição expandida do quarto disco de estúdio do artista, consolidando faixas produzidas ao longo do intervalo de oito anos entre o álbum Testing (2018) e o material inédito. A versão padrão de Don’t Be Dumb (2026) estreou no topo da Billboard 200 em janeiro com 123 mil unidades comercializadas, marcando o primeiro primeiro lugar do rapper em mais de dez anos, com capa assinada por Tim Burton. A data de lançamento do disco deluxe permanece indefinida.








