–:–:–
Conecte-se conosco

Flávio agradece trump e milei em carta após deixar o brasil

Documento divulgado pelo senador derrotado nas urnas critica o Supremo Tribunal Federal e aponta planos de atuar no exterior.

42 visualizações
Em carta golpista, Flávio agradece Milei e Trump por apoio para fuga

O senador derrotado na disputa presidencial Flávio Bolsonaro (PL) publicou um manifesto direcionado à opinião pública no qual agradece aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, pela assistência prestada durante sua saída do território nacional. A partida ocorreu após o segundo turno do pleito, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva.

Investigações e mandados judiciais A saída do parlamentar aconteceu à revelia de determinações da Justiça. Antes de deixar o país, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a retenção dos passaportes diplomático e pessoal do político, além de proibi-lo de cruzar as fronteiras nacionais. A ordem foi emitida a pedido da Polícia Federal, que alertou sobre a iminência de fuga em meio a apurações criminais.

O senador é alvo de dois procedimentos investigativos na Suprema Corte. Um deles apura supostos crimes de lavagem de dinheiro com o envolvimento de um advogado por meio de plataformas de apostas eletrônicas. O segundo inquérito examina a origem dos recursos utilizados no financiamento da produção cinematográfica Dark Horse, que aborda a trajetória de seu pai.

Bastidores do documento e erros gramaticais O material distribuído pela assessoria de imprensa passou por modificações logo após a veiculação inicial. Na primeira versão, o autor se autodenominava “verdadeiro presidente eleito do país”, trecho que foi substituído meia hora depois por “líder do Brasil”.

Além disso, o brasão oficial utilizado no comunicado continha um equívoco histórico ao grafar o nome do país com “z” e empregar a denominação “Estados Unidos do Brazil”, nomenclatura abolida no país em março de 1967.

Alegações sobre o pleito No texto, o candidato derrotado repete acusações infundadas de fraude na votação e direciona críticas ao ministro Cristiano Zanin. A reclamação do parlamentar refere-se à extensão do prazo de votação até as 19h no dia do pleito, medida adotada pelo magistrado após solicitações formais das chapas do PL e do PT.

“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas”, reclamou.

A apuração oficial registrou 64 milhões de votos para Lula e pouco mais de 59 milhões para Flávio, com a extensão horária somando apenas 34.393 votos em um universo de 158,7 milhões de eleitores aptos. A lisura do processo foi chancelada pelo Tribunal Superior Eleitoral, pela Organização dos Estados Americanos e por governos estrangeiros, inclusive pelo próprio partido do senador.

Rota de fuga e articulação internacional A jornada rumo ao exterior começou na noite de terça-feira (27), quando o grupo cruzou a fronteira terrestre em Foz do Iguaçu em direção à Argentina. De Puerto Iguazú, embarcaram em um jato particular rumo ao Equador, pousando em Miami na manhã seguinte ao lado da esposa e das duas filhas.

Nos Estados Unidos, o parlamentar reencontra o irmão mais novo, Eduardo Bolsonaro, residente no país desde o ano anterior e condenado pelo STF devido a articulações relacionadas a tarifas econômicas aplicadas contra o Brasil. Na avaliação expressa no comunicado, a atuação política seguirá distante do território brasileiro.

“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, diz.

Repercussão em Washington A chegada do senador gerou debates políticos em solo norte-americano. Parlamentares do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados ligados ao Partido Democrata questionaram publicamente a concessão de visto migratório ao político brasileiro, comparando o tratamento dispensado a ele com a postura adotada frente a refugiados de zonas de conflito internacional.

“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.

Mais em Política

Ver tudo →