Pesquisadores conseguiram identificar um método para avaliar quais projeções do El Niño e da La Niña apresentam maior confiabilidade com até doze meses de antecedência. O avanço tem potencial para aprimorar os sistemas de alerta precoce, concedendo um prazo maior para que autoridades e populações vulneráveis adotem medidas preventivas contra tempestades severas, secas prolongadas e outras intempéries.
Estudo analisa dados de nove países Divulgada na revista especializada Science Advances, a investigação avaliou mais de 7,5 mil prognósticos climáticos históricos desenvolvidos por nove nações diferentes. A análise revelou que o estado térmico do Oceano Pacífico no instante em que a simulação é iniciada afeta diretamente a precisão do resultado obtido meses mais tarde.
O papel da La Niña nas previsões climáticas O principal achado da pesquisa demonstrou que cenários iniciados sob influência da La Niña mantiveram alta eficácia mesmo ao projetar o comportamento do clima com um ano de margem. Em contrapartida, simulações que partiram de fases neutras exibiram índices de acerto consideravelmente inferiores.
Segundo Mandy Freund, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Melbourne (Austrália), o desempenho consistente das previsões iniciadas durante a La Niña sugere que essas condições tornam o sistema do Pacífico tropical mais previsível ao longo do ano seguinte.
Impactos e aplicação prática dos modelos As fases do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) alteram diretamente a temperatura das águas do Pacífico tropical, modificando a circulação atmosférica global e os regimes de chuvas. Enquanto a previsão de curto prazo costuma ser confiável a cerca de seis meses do pico dos eventos, projeções mais longas sempre representaram um obstáculo para a ciência.
O trabalho também apontou que modelos físicos tradicionais enfrentam dificuldades durante fases neutras, abrindo espaço para o uso de estatísticas avançadas e inteligência artificial. Contudo, a técnica ainda necessita de aperfeiçoamento antes de ser integrada à rotina dos órgãos oficiais de meteorologia.
Nandini Ramesh, autora principal do estudo e pesquisadora da agência científica australiana CSIRO, afirmou que os resultados podem ajudar a identificar antecipadamente quais previsões merecem maior confiança e, assim, permitir que alertas sejam divulgados mais cedo.
Planejamento contra desastres naturais Com a capacidade de antecipar o comportamento climático com maior segurança, governos e serviços de defesa civil ganham margem para estruturar planos de contingência eficientes. Embora restem etapas técnicas a serem superadas, o avanço científico representa uma ferramenta promissora para mitigar os prejuízos gerados pelas oscilações climáticas sazonais em todo o mundo.







