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Estudo revela segredo genético sobre por que cães grandes vivem menos

Pesquisa aponta que perda acelerada de controle em “genes saltadores” pode explicar a diferença de longevidade entre portes.

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Estudo encontra pista no DNA que pode explicar por que cães grandes vivem menos

Uma nova pesquisa publicada na revista Science traz pistas importantes sobre a diferença na expectativa de vida entre cachorros de diferentes portes. O levantamento indica que cães de raças grandes podem envelhecer em ritmo mais acelerado devido à perda de controle sobre trechos do DNA conhecidos como “genes saltadores”.

Entendendo os elementos transponíveis no genoma

Os chamados genes saltadores são, na verdade, elementos transponíveis: pedaços de DNA capazes de fabricar cópias de si mesmos e se alojar em outras áreas do genoma. O foco principal dos cientistas foi uma classe específica desses elementos chamada LINE1.

Para manter esses trechos sob controle, o organismo utiliza a metilação, um mecanismo que insere marcas químicas no DNA sem modificar sua sequência original. Conforme os animais envelhecem, parte dessas marcações acaba se perdendo, o que enfraquece a contenção sobre os LINE1. Quando se tornam excessivamente ativos, esses trechos genéticos são associados a câncer, danos ao DNA e outras patologias da velhice.

“O que descobrimos é que a regulação epigenética dos elementos transponíveis, especialmente dos LINE1, parece ser um fator importante para determinar a velocidade com que diferentes cães envelhecem”, afirmou Noah Snyder-Mackler, autor sênior do estudo, em nota da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos.

Diferenças expressivas entre raças gigantes e pequenas

As informações foram obtidas por meio do Dog Aging Project, projeto que monitora o bem-estar e a longevidade dos pets. Os pesquisadores notaram uma diminuição da metilação associada ao envelhecimento em mais de 40% das regiões do genoma ligadas aos LINE1.

Essa disparidade foi bem mais marcante nos animais de grande porte. Em média, os cachorros de raças gigantes apresentaram uma perda de metilação nessas áreas cerca de 35% mais rápida por ano em comparação aos bichos menores. É importante ressaltar que o índice diz respeito à velocidade com que as marcas químicas desaparecem, e não a uma diminuição proporcional direta na expectativa de vida.

“Isso sugere que o envelhecimento mais rápido dos cães maiores pode ser impulsionado, pelo menos em parte, pela redução do controle sobre esses ‘genes saltadores’”, afirmou Blaise Mariner, coautor do estudo, na nota da universidade.

Além disso, o levantamento apontou distinções entre os sexos: nos machos, os LINE1 demonstraram maior metilação no cromossomo X, mostrando que o gerenciamento desses elementos pode mudar conforme o gênero.

Próximos passos e paralelos com humanos

Mesmo com os avanços, a equipe científica ainda precisa determinar se a alta atividade dos LINE1 realmente acelera o envelhecimento ou se é apenas um efeito colateral dele. Compreender essa dinâmica ajudará a esclarecer o impacto desses elementos no desgaste físico.

Como dividem o mesmo espaço e adoecem de formas parecidas com os humanos, os cães servem como excelentes modelos para pesquisas sobre o envelhecimento na nossa espécie.

Atualmente, a investigação sinaliza um potencial mecanismo molecular associado à disparidade de longevidade entre os portes caninos, embora ainda não comprove a causa exata dessa diferença nem ofereça soluções terapêuticas imediatas para estender a vida dos pets.

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