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Litoral do Paraná registra 61 mortes evitáveis de crianças pequenas

Paranaguá lidera estatísticas regionais e autoridades apontam a necessidade urgente de melhorias no acompanhamento de gestantes e bebês.

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Litoral registra 61 mortes evitáveis de crianças menores de cinco anos; Paranaguá está entre os 10 municípios do PR com maior número de casos

O Litoral paranaense contabilizou 61 óbitos de crianças menores de cinco anos por causas evitáveis ao longo do ano passado, conforme dados do Ministério da Saúde. Esses números trazem à tona debates importantes sobre a qualidade da assistência prestada às gestantes, o suporte durante o parto e o acesso rápido a diagnósticos e tratamentos adequados para evitar tragédias na infância.

Paranaguá no topo do ranking regional Dentro da região litorânea, Paranaguá concentrou o maior volume de ocorrências, com 34 mortes de menores de cinco anos registradas em 2025. Esse montante coloca a cidade não apenas na liderança do Litoral, mas também entre os dez municípios com mais casos em todo o estado do Paraná, ficando próxima de localidades com populações bem maiores. Nos anos anteriores, a mesma cidade contabilizou 30 óbitos em 2024 e 33 em 2023. Somando os sete municípios litorâneos — que incluem ainda Matinhos, Guaratuba, Antonina, Pontal do Paraná, Guaraqueçaba e Morretes —, a contagem total de 2024 ficou em 52, abaixo das 72 ocorrências de 2023.

Alerta do Conselho Municipal de Saúde Diante desse cenário, o Conselho Municipal de Saúde de Paranaguá classificou a situação como um sinal de alerta para a rede pública.

“Consideramos esses dados preocupantes, pois evidenciam a necessidade de avaliar a qualidade e a continuidade da assistência oferecida às gestantes e aos bebês no município”, disse o órgão em nota enviada ao JB Litoral.

O colegiado aponta falhas potenciais como o início tardio do pré-natal, ausência de exames essenciais, atraso na identificação de gestações de alto risco e barreiras no acesso às maternidades. A temática foi debatida com profundidade em julho pelo comitê local.

“Na ocasião, os conselheiros levantaram questionamentos importantes e demonstraram disposição para contribuir com ações que promovam a melhoria desses indicadores. O nosso compromisso é acompanhar as políticas públicas e contribuir para que mães e bebês tenham acesso a uma assistência adequada, humanizada e segura, buscando prevenir mortes que poderiam ser evitadas”, enfatizou.

Posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde Por sua vez, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) argumenta que a mera contagem de óbitos evitáveis não basta para mapear os problemas reais de saúde, exigindo um cruzamento técnico de variáveis.

“A interpretação dos números exige análise epidemiológica detalhada, considerando as causas básicas dos óbitos, as condições de saúde das crianças e das gestantes, o acesso e a oportunidade do pré-natal, a identificação e o acompanhamento de fatores de risco, a idade gestacional ao nascimento, o peso ao nascer e o percurso assistencial até o desfecho”, explicou, em nota.

A pasta estadual acrescenta que diagnósticos definitivos demandam investigações conjuntas entre vigilâncias municipais, regionais e o governo estadual.

Categorias dos óbitos e ações preventivas As ocorrências no Litoral dividem-se entre problemas na gestação (19), assistência inadequada no parto (6), falhas no atendimento ao recém-nascido (7), deficiências em diagnósticos e tratamentos (7), questões de promoção à saúde (9) e 13 casos classificados em outras causas. A Sesa destaca que o grupo ligado à gestação abrange complicações como sífilis congênita, prematuridade, baixo peso e restrição de crescimento fetal. Como resposta, o governo mantém comitês de análise e promove capacitações médicas em obstetrícia.

Em Paranaguá, o secretário municipal de Saúde, Daniel Fangueiro, pontuou que o Projeto Cegonha busca frear a mortalidade materno-infantil com apoio de equipes multiprofissionais, estando atualmente em fase de reestruturação para expansão nas Unidades Básicas de Saúde.

Contexto nacional de mortalidade Em contraste com os desafios regionais, o Brasil atingiu em 2024 os menores patamares de mortalidade neonatal e infantil em 34 anos, de acordo com um relatório da ONU divulgado em março de 2026. A taxa de óbitos nos primeiros 28 dias caiu de 25 para 7 por mil nascidos vivos desde 1990, enquanto a mortalidade até os cinco anos recuou de 63 para 14,2 no mesmo período, impulsionada pela expansão da atenção básica e campanhas de vacinação.

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