A escalação de Marilyn Manson para turnês internacionais continua provocando polêmica. Na capital britânica, uma articulação política foi iniciada para impedir que o músico se apresente como ato de abertura do Slipknot no Estádio de Wembley, marcada para o dia 3 de julho de 2027.
Reação política em Londres O líder do grupo Liberal Democrata no conselho de Brent, o vereador Anton Georgiou, iniciou uma mobilização pública contrária à vinda do artista. Em vídeo gravado em frente ao local do evento, o político expressou revolta com o anúncio, lembrando das acusações de abuso e agressão sexual direcionadas ao cantor norte-americano nos últimos anos.
Para o parlamentar, a presença do artista choca-se diretamente com as diretrizes da administração regional na prevenção e combate à violência direcionada a mulheres e meninas. Diante disso, a legenda exigiu formalmente que os responsáveis pelo estádio reavaliem a programação, cobrando esclarecimentos sobre os critérios adotados em respeito a supostas vítimas.
Posicionamento das autoridades Questionada sobre o caso, a prefeitura de Brent esclareceu que a gestão da programação artística pertence exclusivamente aos promotores e à diretoria do estádio. Por sua vez, a administração do complexo esportivo informou que abriu diálogo com os produtores para debater as repercussões da escalação do cantor.
Histórico de acusações judiciais O episódio insere-se em uma discussão global em torno do nome do músico, alvo de denúncias de estupro, agressão física e violência psicológica feitas por múltiplos nomes desde 2021, incluindo as atrizes Evan Rachel Wood e Esmé Bianco. O cantor sempre rejeitou as denúncias, definindo-as como invenções. Na justiça americana, apurações na Califórnia foram encerradas em 2025 sem o oferecimento de denúncia por insuficiência de evidências, embora processos cíveis permaneçam em andamento.
Controvérsia chega ao Brasil A turnê também gerou reações negativas no território brasileiro após a confirmação do artista no line-up do festival The Town. O cantor tem apresentação marcada no Palco Skyline para o dia 4 de setembro de 2027, dividindo a mesma data com o Slipknot na capital paulista.
Diante dos protestos do público nacional, Zé Ricardo, vice-presidente artístico da organizadora Rock World, justificou a escolha ao argumentar que a empresa não contrataria um artista com sentença condenatória. Segundo o executivo, sem uma decisão judicial definitiva, a organização ficaria impedida de punir preventivamente um profissional ativo no mercado internacional.
“É um cara que não foi condenado, não tem uma coisa provada. São histórias que absolutamente não fazem parte de nada do que a gente acredita, mas nesse momento ele é um artista que estará em turnê pelo mundo. A gente não pode pré-condenar uma pessoa sem prova.”
O debate em torno da presença do cantor em grandes palcos globais evidencia o delicado equilíbrio entre a atividade artística de músicos sob escrutínio público e as políticas institucionais de responsabilidade social adotadas por arenas e festivais.






