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Pesquisa revela que um terço dos fãs se endivida para ir a shows

Gastos extras com alimentação e hospedagem surpreendem o público e superam o valor dos ingressos em festivais musicais.

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Um terço dos fãs se endivida para ir a shows e gasta mais de R$ 1.000 no passeio

Participar de grandes eventos musicais vai muito além da compra da entrada, revelando um impacto profundo no bolso dos brasileiros. Uma pesquisa recente conduzida pela Serasa, em parceria com o Mapa dos Festivais e o Instituto Opinion Box, aponta que 83% dos frequentadores de shows e festivais afirmam se planejar financeiramente para participar desses eventos. Contudo, a prática esbarra em armadilhas de consumo que comprometem as finanças de boa parte do público.

Desafios do planejamento financeiro O levantamento, que ouviu 930 pessoas entre os dias 7 e 17 de agosto de 2026 com margem de erro de 3,2 pontos percentuais, indica que o erro não está na ausência de organização, mas na dificuldade de prever o valor final da experiência. Enquanto 45% dos entrevistados começam a se organizar entre um e três meses antes, 33% admitem ter contraído dívidas por causa dos shows. Outro terço recorreu à reserva de emergência e 14% deixaram de pagar contas básicas para marcar presença nos palcos.

Alimentação e bebidas pesam mais que o ingresso O estudo demonstra que os custos periféricos muitas vezes surpreendem o público. Mais da metade das pessoas ouvidas (52%) gastou acima de R$ 600 no último evento, sendo que 33% desembolsaram mais de R$ 1 mil. Surpreendentemente, 32% apontaram a alimentação e as bebidas como o item de maior peso financeiro, superando os 29% que destacaram o próprio ingresso. Na sequência aparecem a hospedagem, com 18%, e o transporte, responsável por 13% dos gastos.

Para Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa, o consumidor costuma subestimar despesas que vão além da entrada. “Quando o planejamento se concentra no ingresso, o custo real deixa de ser contabilizado. O deslocamento, a alimentação e a hospedagem devem ser somados, pois representam parte significativa de toda essa experiência”, diz.

O peso do arrependimento e do parcelamento O impacto no orçamento gera frustração para cerca de 39% dos participantes que já se arrependeram de algum gasto. Entre eles, 40% sentiram que o evento não valeu o que custou e 27% estouraram o orçamento planejado. A facilidade de dividir os pagamentos também entra no radar dos especialistas como um fator que distorce a percepção da realidade financeira a longo prazo.

“A possibilidade de parcelar pode ajudar na organização, mas é preciso lembrar que as prestações continuam fazendo parte do orçamento mesmo depois que o evento termina. Se a compra exigir deixar uma conta básica em aberto ou comprometer a reserva de emergência, o consumidor deve reavaliar se aquele gasto cabe, de fato, em sua realidade financeira”.

Oportunidades de renda nos palcos Nem tudo se resume a prejuízo financeiro para o público dos festivais. O levantamento identificou que 22% dos frequentadores aproveitam a atmosfera dos grandes concertos para faturar uma grana extra. Seja comercializando itens variados, oferecendo serviços ou atuando em frentes temporárias, uma parcela significativa transforma o lazer em uma oportunidade de negócio.

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