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Flávio Bolsonaro e Lula duelam em debate decisivo após protestos

Eleitores tomam as ruas do país em manifestações rivais na véspera do primeiro confronto televisivo do segundo turno das eleições.

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Flávio e Lula se enfrentam no primeiro debate após apoiadores ocuparem as ruas

Manifestantes tomaram as ruas de diferentes cidades brasileiras em atos a favor e contra os candidatos à Presidência, simultaneamente aos preparativos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro para o primeiro confronto televisivo da reta final da campanha eleitoral.

Mobilização nas ruas e disputa acirrada Em São Paulo, multidões vestidas com as cores verde e amarela lotaram a Avenida Paulista para acompanhar o discurso do candidato do Partido Liberal (PL). De forma oposta, apoiadores do Partido dos Trabalhadores vestiram vermelho e ocuparam a praça dos órgãos governamentais em Brasília, enquanto grupos estudantis realizaram protestos contrários a Bolsonaro no Rio de Janeiro.

As pesquisas de intenção de voto apontam um cenário de forte acirramento para o segundo turno marcado para 25 de outubro. O parlamentar, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, lidera com margem estreita após superar o atual mandatário por quase dois pontos percentuais na votação de 4 de outubro. Ambos os concorrentes agora direcionam esforços para atrair os 33 milhões de cidadãos que se abstiveram no primeiro pleito, parcela que representa cerca de um em cada cinco votantes aptos.

O confronto entre os postulantes ao Planalto está agendado para as 20h, com transmissão da emissora Band em São Paulo. O cancelamento de última hora marcou a última tentativa de debate no primeiro turno, após a desistência de ambos os lados. Historicamente celebrados como pilares democráticos após a redemocratização em 1985, os debates na televisão perderam espaço com a ausência frequente dos principais nomes da disputa.

Polarização política e discursos inflamados O clima de acirramento dominou a política nacional nos últimos anos, impulsionando expectativas de um embate repleto de confrontos diretos e críticas mútuas. Enquanto grupos bolsonaristas defendem que o atual presidente deveria cumprir pena por escândalos de corrupção ligados ao PT, eleitores governistas sustentam que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado ocorreu de maneira legítima.

“Eu não gosto de bandidos. Fora, Lula!”, disse a manifestante Vera de Sousa, em São Paulo.

Durante o ato paulista, manifestantes expuseram um boneco gigante inflável que retratava o líder petista com vestes de presidiário. Na capital federal, simpatizantes do governo gritaram palavras de ordem exigindo a prisão do antigo chefe do Executivo, exibindo cartazes com ilustrações de suas mãos cobertas de sangue.

“Precisamos que o atual governo continue no poder. Se entrar outro governo, estamos, desculpe a expressão, ferrados”, disse a apoiadora de Lula Sonia Maria, durante o ato em Brasília.

O histórico judicial dos principais nomes da política brasileira continua no centro dos debates. O titular do Planalto cumpriu 580 dias de reclusão entre 2018 e 2019 em decorrência de uma condenação por corrupção posteriormente anulada por falhas processuais. Por sua vez, Jair Bolsonaro recebeu condenação a 27 anos de reclusão por conspiração golpista após a derrota em 2022, cumprindo atualmente a sanção em regime domiciliar por motivos médicos.

O candidato do PL classificou o processo contra seu pai como uma articulação fraudulenta e prometeu buscar um decreto de anistia caso conquiste a chefia do Executivo.

“Faltam sete dias para livrarmos o Brasil do PT. E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente no filho dele”, disse Flávio à multidão em São Paulo.

Em contrapartida, por meio de uma publicação na rede social X, o candidato à reeleição declarou que os eleitores de seu adversário receberiam o pai e os irmãos dele como “brinde”.

Controvérsia sobre moderação digital A reta final da disputa também registrou atritos envolvendo a atuação das plataformas da Meta, controladora do Facebook e do Instagram, após questionamentos sobre a imparcialidade no tratamento dispensado aos concorrentes.

A campanha petista denunciou restrições impostas a seu perfil oficial e a publicações na rede social. Documentos internos divulgados pela imprensa apontaram que funcionários da empresa admitiram limitações ao alcance e confirmaram recomendações direcionadas ao perfil de Flávio e ao seu canal de mensagens.

A companhia tecnológica atribuiu os episódios a instabilidades técnicas de abrangência internacional, rejeitando quaisquer acusações de favorecimento político. “Qualquer sugestão de que a Meta favoreça um lado é falsa”, disse a empresa.

Diante do impasse, coletivos da sociedade civil organizaram um protesto em frente ao escritório da companhia em São Paulo para repudiar o que classificam como interferência corporativa na dinâmica eleitoral do país.

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