O primeiro debate presidencial do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), transmitido neste domingo (18) pela Band, foi dominado por intensas trocas de acusações, ataques pessoais e cobranças sobre investigações recentes, a apenas uma semana da votação definitiva.
Propostas econômicas e o endividamento
Flávio chegou ao confronto com uma vantagem de 1,87 ponto percentual no primeiro turno. Na área econômica, o senador apresentou planos para amortizar débitos de cidadãos e corporações junto às instituições financeiras com descontos expressivos, oferecendo carências de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas.
“No meu governo, a gente vai comprar a sua dívida dos bancos. E o que vai acontecer com isso? Vai ser já por um valor muito menor”, afirmou.
O candidato do PL também detalhou planos para criar o Ministério da Prosperidade e transformar a Caixa Econômica Federal em um agente focado no empreendedorismo popular nas periferias.
“A Caixa, que vai ser o banco da prosperidade, vai ser o Itaú das favelas, ou o Bradesco das periferias”, declarou.
Em contraponto, Lula defendeu a recuperação do poder de compra por meio do salário mínimo, incentivos à indústria e expansão do crédito. O atual presidente argumentou que o país precisa de um ritmo de expansão anual entre 4% e 5% para mitigar o peso das dívidas públicas.
“A melhor forma de você resolver o problema da dívida desse país é a economia voltar a crescer”, afirmou Lula.
Segurança pública e propostas penais
No setor de segurança, Flávio prometeu classificar facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, além de erguer 500 mil novas vagas no sistema carcerário e adotar inteligência artificial no combate ao crime. O candidato também sugeriu a redução da maioridade penal para 14 anos em delitos graves e a implementação de castração química para estupradores.
“Eu vou recuperar cada metro, eu vou recuperar cada rua, eu vou recuperar cada bairro, eu vou recuperar cada cidade, eu vou recuperar cada território que foi tomado do povo brasileiro”, declarou.
Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e a criação de uma pasta ministerial específica para integrar as forças policiais dos diferentes níveis de governo.
“Para o trabalhador e para a comunidade, proteção; para o bandido, prisão”, afirmou o presidente.
Sobre as saídas temporárias de detentos, o petista argumentou que os benefícios concedidos por bom comportamento devem ser preservados:
“Não é porque um cidadão saiu e cometeu um erro que você vai punir milhares de pessoas que conquistaram o direito de sair diante da Justiça brasileira”, argumentou Lula.
Saúde, política externa e embates diretos
Na saúde, Flávio prometeu elevar o padrão de atendimento do Sistema Único de Saúde ao que chamou de padrão Einstein, revelando ter convidado Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para assumir o Ministério da Saúde.
“O SUS vai ser padrão Einstein, porque você merece”, disse o senador.
Lula questionou se a proposta indicava uma intenção de privatização da rede pública e cobrou esclarecimentos sobre a atuação da família do adversário em relação a Donald Trump e a exploração de minerais estratégicos.
O debate ainda foi fortemente marcado por embates diretos e denúncias cruzadas envolvendo supostas irregularidades financeiras, movimentações imobiliárias, relações com o setor bancário e investigações sobre familiares dos candidatos, evidenciando o clima de acirramento na reta final da disputa eleitoral.








