Lançado nesta sexta-feira, 16, o novo disco homônimo de Pitty marca o retorno da cantora baiana aos lançamentos de inéditas desde Matriz (2019). O projeto faz um balanço profundo das transformações pessoais e sociais vividas pela artista nos últimos anos, resultando em uma das obras mais complexas de sua trajetória musical.
O tema do desejo e a maturidade
A narrativa central do material gira em torno do conceito de desejo, explorado logo na faixa de abertura, “Sobremesa”. As composições refletem o amadurecimento de quem acompanha a carreira da roqueira desde o disco de estreia, Admirável Chip Novo (2003), trazendo reflexões francas sobre as mudanças inevitáveis da vida adulta.
Na música “Armadura”, a discussão se aprofunda sobre a necessidade de expor fragilidades, utilizando a metáfora de autoproteção. O contexto pessoal da musicista também alimenta as letras, incluindo acontecimentos recentes como uma cirurgia de emergência em 2024 e o fim de seu casamento no ano seguinte.
Sonoridade e arranjos dançantes
Apesar dos temas densos e maduros, a atmosfera geral surpreende por soar vibrante e solar. As guitarras marcantes de Martin Mendonça dividem espaço com a sólida base rítmica conduzida por Paulo Kishimoto no baixo e Nico na bateria, criando uma sonoridade que mistura batidas dançantes com a identidade tradicional do rock.
Histórias pessoais e reconciliação
O repertório não foge de polêmicas ou momentos vulneráveis, abordando desde os reflexos da separação em “Álbum de Casamento” até a exploração da própria sexualidade na faixa “Pileque de Poeta”. Em “Cuidada”, a relação com a falecida mãe, Laurita, e a experiência da maternidade com a filha Madalena ganham espaço em uma emocionante tentativa de cura através da arte.
Em suma, a experiência de audição do novo projeto funciona como um reencontro sincero com uma velha amiga. Com lições valiosas conquistadas com maturidade, a obra prova que a essência musical da artista continua afiada, autêntica e relevante.







