O impressionante salto de 7,70% registrado pelo Ibovespa na última segunda-feira (5) contou com uma participação massiva do capital externo. Apenas durante o pregão que sucedeu o desfecho do primeiro turno das eleições presidenciais, o saldo de recursos estrangeiros ficou positivo em R$ 10 bilhões, superando o montante total ingressado ao longo de todo o mês de setembro.
Recordes históricos quebrados na bolsa
Antes mesmo dessa sessão expressiva, o acumulado de capital estrangeiro até o dia 2 de outubro somava R$ 2,55 bilhões. Com a injeção repentina, o total saltou para R$ 12,61 bilhões, superando o desempenho de meses sólidos de 2026, a exemplo de julho, que registrou entrada de R$ 4,3 bilhões, e abril, com R$ 3,2 bilhões. Vale destacar que o ano de contabilizou apenas três meses de resultados negativos: maio, junho e agosto.
A intensidade desse fluxo internacional acompanhou uma série de marcas históricas alcançadas pelo principal índice acionário brasileiro. O Ibovespa atingiu pela primeira vez a marca de 206 mil pontos no encerramento, estabelecendo seu recorde de fechamento, além de tocar os 209 mil pontos na máxima intraday. Paralelamente, o volume financeiro negociado bateu recorde absoluto ao alcançar R$ 79,3 bilhões.
Previsões de bancos e analistas
Esse movimento massivo já havia sido projetado por especialistas do mercado financeiro logo após a conclusão da apuração das urnas. O movimento já havia sido antecipado na análise de Marcos Praça, diretor de análise de ZERO Markets Brasil, logo após o fim da apuração. Em sua visão, além do otimismo do mercado doméstico como um todo, o movimento estrangeiro também seria estimulado por algumas avaliações positivas de bancos estrangeiros, como relatório recente do JPMorgan sobre o potencial de valorização de 28% na Bolsa com a eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
Como reflexo desse cenário, importantes instituições globais — incluindo Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan — recalibraram suas projeções para o mercado acionário brasileiro e para a cotação do dólar frente ao real, estipulando estimativas cambiais de até R$ 4,50.
O cenário macroeconômico global ainda exige cautela, visto que os mercados seguem em um ambiente de incerteza, com os preços elevados de energia e as expectativas de inflação ainda pressionadas. Contudo, o apetite pelo risco no mercado local demonstrou força inédita no período eleitoral.







