O compositor Beto Caju revelou recentemente que a cantora Joelma pediu autorização para modificar um trecho da música “Príncipe Encantado”, lançada originalmente em 2002 quando fazia parte da Banda Calypso.
Motivações religiosas para a alteração
De acordo com o autor, a artista retirou da composição referências relacionadas à “mesa de quijá” e a cartas de baralho por conta de convicções religiosas. Como é evangélica, a cantora optou por adaptar o verso para que pudesse interpretar o sucesso sem conflitos com sua atual fé.
Antes de adotar a modificação nos palcos, a artista apresentou a nova versão aos criadores da obra para obter aval.
“Na verdade, não fomos eu e Marquinhos que modificamos a letra. Foi a própria Joelma que fez a alteração. Por uma questão da fé dela e do momento que vive hoje, ela não se sentia mais confortável cantando aquelas referências da versão original. Então, ela modificou aquele trecho, apresentou a nova versão para mim e para Marquinhos Maraial e pediu a nossa aprovação como autores. Nós aprovamos e respeitamos totalmente a decisão dela”, disse Beto Caju.
A viralização e o impacto nos palcos
O assunto voltou a repercutir após a gravação de uma nova roupagem da faixa em parceria com Rey Vaqueiro, fazendo o hit viralizar novamente após mais de duas décadas. Durante as apresentações recentes, a cantora tentou guiar o público para cantar o trecho adaptado, mas os fãs ainda demonstram estranhamento.
A letra original continha os versos: “Tentando desvendar os seus mistérios, um copo sobre a mesa de quijá. Bola de cristal e cartas de baralho… Só pra ver, a luz dos teus olhos a me procurar”. Já na versão atualizada, o trecho foi modificado para: “Tentando desvendar os seus mistérios, quem sabe um sonho possa me mostrar. Mesmo que meu coração fique em pedaços”.
O compositor reforçou que apoia a decisão da artista e destacou o respeito mútuo.
“Eu respeito muito a Joelma, a história dela e a fé de cada pessoa. Ela encontrou uma maneira de continuar cantando a música sem entrar em conflito com aquilo em que acredita hoje, e para nos estava tudo certo. Até porque ‘Príncipe Encantado’ nunca foi uma música sobre religião ou qualquer tipo de crença. Aquilo era apenas um elemento dentro da história de uma mulher apaixonada, querendo descobrir se o homem que amava ainda pensava nela”, afirmou.
A origem curiosa do termo quijá
Criada em 2002 durante uma viagem a Porto de Galinhas, a música nasceu após Marquinhos Maraial gravar uma melodia em fita cassete. Os elementos visuais da letra foram inspirados em produções cinematográficas assistidas por Beto Caju na época.
Curiosamente, o termo “mesa de quijá” surgiu de um equívoco de leitura do próprio compositor. Ele visualizou a palavra “Ouija” — referente ao tabuleiro utilizado em sessões espiritualistas — e acabou compreendendo de maneira equivocada.
“Vi escrito ‘OUIJA’ e, na minha cabeça, interpretei aquilo como ‘quijá’ […] Quijá pode não estar no dicionário, mas está na história de ‘Príncipe Encantado’”, relembrou.
Reflexos financeiros e direitos autorais
Sobre o retorno financeiro com a nova onda de reproduções, o autor ponderou que ainda é cedo para mensurar valores exatos vindos da arrecadação de direitos autorais.
“Toda vez que uma música volta a ser executada, ouvida, gravada e ganha força nas plataformas, naturalmente existe a possibilidade de gerar novos direitos autorais. Mas ainda é cedo para transformar essa viralização especificamente em números e dizer: ‘Entrou tanto por causa disso’. Direito autoral tem todo um caminho de arrecadação e distribuição. O que posso dizer é que, para o compositor, ver uma obra antiga voltar a ter esse consumo é maravilhoso artisticamente e também pode representar uma nova vida comercial para a música. Eu sempre digo: música boa é patrimônio. Às vezes ela dorme, mas não morre”, concluiu o músico.







