O setor agropecuário brasileiro registrou um marco histórico no último ano. A produção de leite no país atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros em 2025, o que representa uma alta de 2,7% na comparação com o ano anterior.
Crescimento contínuo e menor rebanho
O resultado consolida o terceiro ano consecutivo de expansão no volume ordenhado. Surpreendentemente, esse avanço ocorreu de forma simultânea a uma retração de 2,7% no total de vacas em lactação, que somou 14,7 milhões de matrizes. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa da Pecuária Municipal.
O levantamento estatístico aponta que o quantitativo atual de animais em ordenha é o menor verificado desde 1979, ano em que o país contabilizava 14,9 milhões de cabeças. O pico histórico permanece em 2011, quando o rebanho produtivo chegou a 23,2 milhões de animais, dando início a uma tendência de baixa que persiste desde então.
Fatores de alta produtividade
A discrepância entre a redução do rebanho e o aumento da captação evidencia um salto expressivo na eficiência das propriedades leiteiras. A produtividade média avançou 5,6% de um ano para o outro, alcançando a marca inédita de 2.498,7 litros por animal.
Segundo o IBGE, o desempenho superior é fruto de condições climáticas favoráveis, investimentos em melhoramento genético e da reorganização estrutural do setor, marcada pela saída de produtores de menor escala ou com recursos limitados.
Sobre essa reestruturação na atividade, o analista da pesquisa, Octavio Costa de Oliveira, ressalta a exigência de aportes financeiros. “Os grandes produtores têm a capacidade desses investimentos”, diz.
Liderança regional e municípios campeões
No panorama geográfico, a região Sul destacou-se com a maior eficiência do país, registrando uma média de 4,3 mil litros por vaca em 2025. O Sudeste apareceu na sequência, com 2,9 mil litros, seguido por Centro-Oeste (2 mil litros), Nordeste (1,7 mil litros) e Norte (957 litros).
Em termos de volume total, o Sul também assumiu a ponta, respondendo por 34% de tudo o que foi gerado no território nacional, seguido de perto pelo Sudeste, com 33,5%. Entre os estados, Minas Gerais manteve a hegemonia isolada ao entregar 10,1 bilhões de litros. No recorte municipal, a cidade paranaense de Castro liderou o ranking nacional com 532,8 milhões de litros produzidos.
Expansão geral da pecuária nacional
O valor bruto da produção pecuária como um todo bateu recorde em 2025, alcançando R$ 141,2 bilhões — avanço de 6,2% frente a 2024. Desse total, a atividade leiteira respondeu por 63,4%. Outros segmentos que se destacaram foram a avicultura e a produção de ovos, impulsionadas pela busca dos consumidores por proteínas mais acessíveis e saudáveis.
A respeito do comportamento do consumidor frente a esses alimentos alternativos, o especialista do IBGE observa o impacto econômico direto. “Dependendo das condições de renda e de preços das carnes, o ovo entra mais forte [na demanda]”, diz.
Por fim, embora o setor leiteiro tenha celebrado marcas históricas, o rebanho bovino total recuou pelo segundo ano consecutivo, somando 234,3 milhões de cabeças. A retração é atribuída ao ciclo pecuário e à desova de matrizes em períodos anteriores. Explicando o fenômeno de reposição, Octavio Costa de Oliveira pontua: “Às vezes, o produtor abate as suas fêmeas porque o preço da carne está atrativo e, às vezes, o preço do bezerro para repor esse rebanho não está favorecendo a reposição do rebanho”.








