O governo estadual e a prefeitura decretaram luto oficial de três dias em virtude do falecimento de Dom Pedro Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba, que havia completado um século de vida no mês passado. O religioso esteve à frente da Arquidiocese local por três décadas e marcou a história eclesiástica da região.
Homenagens das autoridades Manifestando-se por meio das redes sociais, o governador Ratinho Junior pontuou a relevância da trajetória do religioso. “Hoje [sábado, 26] o Paraná se despede de um homem que fez da fé uma vida de serviço e acolhimento”, afirmou, acrescentando: “Aos 100 anos, ele deixa o exemplo de uma vida dedicada à fé e às pessoas.”
Ainda em suas redes, o chefe do executivo estadual complementou: “Foram décadas de serviço à Igreja, sempre com simplicidade, acolhimento e palavras de esperança. Seu legado seguirá vivo entre todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo”. Para concluir as homenagens institucionais, ressaltou: “Em respeito à sua memória e à sua história, decretamos luto oficial de 3 dias no Paraná”, finalizando com votos de solidariedade: “Que Deus conforte seus corações.”
Por sua vez, o prefeito Eduardo Pimentel também lamentou a perda em sua página oficial. “Curitiba perdeu hoje um dos grandes homens da sua história”, escreveu. O gestor municipal complementou: “Em respeito à memória de Dom Pedro Fedalto e a tudo o que ele representou para a nossa cidade, vou decretar luto oficial de 3 dias em Curitiba”.
Pimentel recordou o recente centenário do arcebispo: “Recebi sua bênção naquele dia e guardarei esse momento para sempre”, disse, pontuando ainda que o líder religioso “deixa um legado que atravessa gerações”. O prefeito destacou momentos históricos, como a recepção ao Papa João Paulo II em 1980: “Sua história se confunde com a história da nossa cidade e da Igreja no Paraná. Encontrou quatro Papas e foi ele quem recebeu São João Paulo II naquela visita inesquecível a Curitiba”. A nota municipal encerrou com a mensagem: “Descanse em paz, Dom Pedro.”
Despedida e sepultamento A programação de despedida conta com a missa de corpo presente agendada para esta segunda-feira (28), às 10h, na Catedral Basílica de Curitiba. Logo após a celebração litúrgica, o sepultamento ocorrerá na cripta da própria igreja.
Trajetória e biografia Nascido em 11 de agosto de 1926 na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, Pedro Antônio Marchetti Fedalto era filho de imigrantes italianos. Aos 14 anos, ingressou no Seminário Menor São José, em Curitiba, prosseguindo com os estudos de Filosofia e Teologia no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, em São Paulo.
Sua ordenação sacerdotal aconteceu em 6 de dezembro de 1953, na Catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, com a primeira missa solene celebrada dois dias depois em sua terra natal. Desde 1954, atuou na administração arquidiocesana como secretário particular do arcebispo e chanceler da Cúria, além de publicar o livro A Arquidiocese de Curitiba na Sua História em 1956.
Nomeado bispo auxiliar de Curitiba em 1966, aos 39 anos, assumiu como arcebispo metropolitano em 1971 após o falecimento de Dom Manuel da Silveira D’Elboux, cargo que exerceu até 2004. Durante sua gestão, liderou por 28 anos o Regional Sul II da CNBB e encontrou pessoalmente os pontífices Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Ao atingir 75 anos, apresentou renúncia conforme as normas canônicas, tornando-se arcebispo emérito até falecer aos 100 anos de idade.








