A Polícia Civil do Ceará investiga ações realizadas no imóvel onde Isabelle Caracristi, de 22 anos, residia com o companheiro João Munhoz Neto, na capital cearense, após o falecimento da estudante. Os investigadores buscam esclarecer se houve tentativa de destruir vestígios e examinam a hipótese de fraude processual no caso.
Movimentações suspeitas no imóvel
A jovem faleceu no dia 13 de setembro após despencar do 23º andar de um prédio localizado no bairro Aldeota. Logo no dia seguinte, uma diarista foi contratada para realizar a limpeza do espaço, e 48 horas após a tragédia o irmão de João esteve no local acompanhado por um corretor para colocar uma placa de anúncio de venda.
O inquérito aponta que o companheiro da vítima deixou o edifício com bagagens poucas horas depois do ocorrido. Ao voltar ao condomínio naquela mesma noite, ele pediu auxílio ao zelador para localizar o telefone celular da jovem, chegando a vasculhar lixeiras das áreas comuns. O aparelho foi posteriormente entregue às autoridades para perícia técnica.
Restrição de acesso e mensagens enviadas
Além disso, há registros de que o investigado instruiu a administração do prédio a barrar a entrada de parentes da universitária caso eles comparecessem ao endereço. O Ministério Público chegou a pedir autorização judicial para o arrombamento do local, mas a ordem não precisou ser cumprida.
Pouco antes da queda, a estudante manteve contato com um familiar e fez pedidos específicos sobre gravações. “Não apague este áudio, me responde”, escreveu. Ela também declarou: “Qualquer coisa que venha a acontecer comigo, este áudio é uma prova. João Munhoz é um doente, não acredite nele”.
Em diálogos anteriores, a jovem já demonstrava desgaste com o relacionamento e relatava episódios de controle e ciúmes. “Depois desse, não quero ninguém. Quero ficar sozinha. Não suporto mais o João”, teria dito.
Prisão preventiva
O inquérito policial foi aberto em 16 de setembro para apurar todas as circunstâncias do caso, incluindo relatos de que o companheiro teria mencionado dívidas financeiras da vítima ao conversar com funcionários do condomínio.
A defesa de João informou que ele prestou esclarecimentos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa na noite de segunda-feira (21) e entregou seu telefone celular. No dia seguinte (22), o suspeito teve a prisão preventiva decretada e foi preso em Fortaleza, enquanto as diligências continuam em andamento.








