O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22) que a Organização das Nações Unidas enfrenta o período mais delicado de sua trajetória desde 2003. Durante seu pronunciamento na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o mandatário brasileiro destacou a falta de eficácia do sistema internacional diante dos conflitos armados atuais.
Críticas severas à atuação do Conselho de Segurança
Da tribuna da instituição, o líder do Executivo nacional apontou falhas graves na condução da paz mundial e resgatou um histórico alerta dado pelo Brasil ainda na década de 1940 sobre os riscos atrelados ao poder de decisão das principais potências globais. “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, disse. “Em 1946, já na primeira sessão dessa assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez”.
O governante brasileiro também pontuou que esta é a décima oportunidade em que realiza o discurso inaugural do evento em solo americano. “O sentimento que me move hoje é o da indignação”, disse . “A capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exércitos nem arsenais, nunca foi tão pequena”, completou. “A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”.
Agenda diplomática e retorno ao Brasil
Antes de discursar perante os demais líderes mundiais, o representante do governo brasileiro manteve uma conversa oficial com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A participação do chefe de Estado ocorreu logo no início das atividades da plenária, antecedendo a intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A passagem por Nova York também incluiu encontros políticos na véspera com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, com o prefeito local, Zohran Mamdani, e com o senador americano Bernie Sanders. O término da agenda oficial nos Estados Unidos acontece ainda nesta terça-feira, com decolagem programada para as 13h50 no horário local (14h50 no horário de Brasília) e pouso em solo brasileiro estimado para as 23h40.








