Uma pesquisa recente realizada em todo o território nacional revelou que quase metade dos médicos que atuam em unidades de terapia intensiva enfrenta um cenário alarmante de exaustão mental e emocional. O levantamento ouviu 2.338 profissionais em 26 estados e no Distrito Federal para mapear as condições de trabalho na área.
Radiografia da força de trabalho O Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras foi conduzido em conjunto pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira e pelo Conselho Federal de Medicina. Os resultados mostram que 46,4% dos profissionais relatam descontentamento com suas atividades diárias.
Fatores de risco e vulnerabilidade Para a associação médica, os dados indicam um risco elevado de síndrome de burnout, destacando que a saúde mental da categoria precisa ser tratada como prioridade por gestores e autoridades públicas. A sobrecarga de jornadas extensas, o contato constante com cenários críticos e as limitações estruturais da rede de atendimento são apontados como os principais gatilhos para o desgaste.
Desigualdade entre redes pública e privada Durante a apresentação dos dados, o diretor de Comunicação do CFM, Estevam Rivello, pontuou as diferenças de pressão enfrentadas nas redes de atendimento. “No sistema suplementar, o profissional tem uma estrutura, um arsenal terapêutico que ele pode implementar na assistência ao doente grave com maior facilidade do que quando comparado ao serviço público”, disse.
Em seguida, ele complementou: “O nível público, com absoluta convicção, registra maior estresse, porque lida com um profissional que não tem a mesma remuneração do serviço suplementar e que tem mais vínculo empregatício em relação ao serviço suplementar”.
Impactos na humanização do atendimento O levantamento também identificou que 45,6% dos intensivistas apresentam algum nível de despersonalização, manifestada pelo distanciamento afetivo e por posturas frias ou apáticas perante pacientes e colegas.
Sobre esse reflexo no ambiente de trabalho, a entidade destacou: “Esse comportamento prejudicial ao ambiente assistencial compromete a qualidade do atendimento, afeta a dinâmica de comunicação nas equipes e se contrapõe à humanização do cuidado. Enquanto 29,6% dos médicos responderam por um nível moderado de despersonalização, 16% reportaram níveis elevados desta percepção”.
Diferença conforme o nível de especialização O estudo concluiu que o grau de formação técnica influencia diretamente na resistência ao esgotamento. Médicos generalistas atuando em UTIs apresentam índices piores de exaustão e insatisfação em comparação àqueles que possuem especialização formal em medicina intensiva.








