O Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) apresentou nesta quinta-feira (17) uma plataforma digital inédita reunindo 228 indicadores divididos em 12 áreas temáticas. A ferramenta permite analisar o progresso histórico das 27 unidades federativas do país, incorporando dados consolidados até o ano de 2025.
Objetivo e histórico da ferramenta estatística
A iniciativa busca subsidiar os eleitores e candidatos com evidências concretas durante o período de campanhas eleitorais. Edições anteriores da mesma iniciativa foram disponibilizadas em 2022, focando na realidade estadual, e em 2024, com recorte voltado para os municípios brasileiros.
Financiado exclusivamente por doações privadas, o IMDS foi fundado em 2020 pelos economistas Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central entre 1999 e 2003, e Paulo Tafner, que atualmente preside a instituição. Fernando Veloso, diretor de Pesquisa do instituto, apontou a carência de discussões aprofundadas sobre o progresso nacional. “A gente vê pouca discussão de propostas”, afirmou. O lançamento, inicialmente programado para agosto, foi reprogramado para incorporar as estatísticas mais recentes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Novas métricas para o mercado de trabalho
A plataforma compila informações de múltiplos órgãos oficiais e introduz duas métricas inéditas sobre o cenário trabalhista brasileiro, cruzando o valor do piso salarial com a média e a mediana dos rendimentos estaduais. No ano de 2025, por exemplo, o salário mínimo nacional era de R$ 1.518, e todos os nove estados nordestinos apresentaram valores de mediana salarial exatamente iguais: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Sobre esse cenário, “O salário mínimo alto em relação à mediana começa a gerar informalidade e desemprego”, diz Veloso.
Gestão eficiente supera barreiras de renda
As comparações revelam que administrações estaduais eficientes conseguem superar unidades da federação com maior poder aquisitivo em setores cruciais como saúde e educação, sendo o Ceará um dos exemplos destacados. “Recursos são importantes, mas uma boa gestão faz muita diferença”, disse Veloso. O especialista pontuou ainda que municípios beneficiados por royalties de petróleo não apresentam, necessariamente, índices sociais superiores. Regiões como o Sul e o Centro-Oeste também se destacam positivamente por aliarem renda acima da média nacional, forte presença do agronegócio e menores taxas de informalidade.
Raio-x dos estados em segurança, educação e saúde
O eixo de segurança pública conta com 41 métricas, baseadas em estatísticas de homicídios de 2023, apontando o Amapá com a situação mais crítica e São Paulo com o melhor desempenho proporcional.
Na área educacional, são 32 índices que avaliam o rendimento escolar de estudantes do 9º ano em matemática no ano de 2025, destacando o Paraná como o melhor e Roraima como o pior estado.
Por fim, o segmento de saúde dispõe de 39 indicadores, com base nas taxas de mortalidade por enfermidades infecciosas de 2024, colocando o Espírito Santo na liderança positiva e Minas Gerais na retaguarda.








