O fenômeno da abstenção eleitoral se torna mais acentuado no segundo turno das eleições, especialmente em Estados que já têm seus governadores definidos. A diferença entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas atuais é mínima, o que torna crucial a mobilização de eleitores para comparecer às urnas.
O impacto da abstenção nas eleições
Dados históricos demonstram que a taxa de abstenção tende a ser superior no 2º turno. Segundo análises, a única vez que essa tendência não se confirmou desde a redemocratização foi em 2022, quando a abstenção caiu de 20,95% para 20,59% entre os turnos. Essa diminuição, embora pequena, esconde importantes variações regionais que podem influenciar os resultados.
Em 2022, o percentual médio de abstenção em Estados com 2º turno para governador foi de 20,3%, contra 21,3% nos que não tiveram essa segunda rodada. Essa diferença de 1 ponto percentual pode se revelar decisiva em uma eleição presidencial tão acirrada quanto a de 2026. Durante a corrida de quatro anos atrás, tanto o PT quanto o PL implementaram estratégias para reduzir a abstenção, visando os seus respectivos eleitorados.
Casos emblemáticos de desmobilização
Em 2022, o Amapá apresentou um aumento significativo na abstenção: de 19,51% no 1º turno para 27,17% no 2º turno, um crescimento de 7,66 pontos percentuais. No Acre, o cenário foi semelhante, com a abstenção subindo de 22,43% para 28,41%. Esses exemplos ilustram como a falta de uma votação para governador pode desmotivar os eleitores a comparecerem para a escolha presidencial.
Historicamente, a região Norte do Brasil apresenta índices de abstenção superiores à média nacional. Entretanto, a presença de Estados com forte apoio tanto a Lula quanto a Bolsonaro pode equilibrar o impacto da abstenção. A região, que representa apenas 8% do eleitorado nacional, pode ter sua influência diluída em uma disputa nacional.
Fatores que influenciam a abstenção
A lógica por trás do aumento da abstenção no 2º turno é bastante clara: muitos eleitores se sentem desmotivados a sair de casa para votar em apenas um candidato. A expectativa de votar em múltiplos cargos, como deputados e senadores, geralmente motiva um comparecimento maior.
Além disso, a abstenção entre eleitoras mulheres tende a ser mais elevada do que entre os homens no 2º turno. Embora as mulheres tenham maior taxa de comparecimento no 1º turno, a queda percentual de votos delas na segunda rodada pode impactar negativamente a candidatura de Lula, que conta com forte apoio entre esse eleitorado.
Estados com 1º turno decidido
Pesquisas recentes indicam que 13 Estados devem finalizar a disputa para governador já no 1º turno. Nesses locais, Lula lidera em 7, enquanto Flávio Bolsonaro está à frente em 3, com empates em outros 3. Estados como Alagoas e Bahia, que tendem a apoiar Lula, podem vê-lo prejudicado por uma alta taxa de abstenção. Já em Mato Grosso do Sul e Roraima, onde Bolsonaro está à frente, a desmotivação dos eleitores pode afetá-lo mais.
O Rio de Janeiro e São Paulo, que também devem decidir seus governadores no 1º turno, são pontos críticos. A maior quantidade de eleitores em São Paulo (21,48% do total nacional) torna esse Estado um fator crucial para o resultado das eleições presidenciais.
A análise dos dados de abstenção revela a complexidade do cenário eleitoral e a importância de mobilizar os eleitores para garantir uma participação ativa nas urnas.








