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Curitibana relata pânico após quebra de banco digital no Paraguai

Cerca de 3 milhões de correntistas foram atingidos pela liquidação da instituição financeira, que causou protestos e bloqueio de contas.

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Curitibana relata susto após fechamento de banco no Paraguai; 3 milhões de clientes foram afetados

A falência repentina do Ueno Bank, uma das instituições financeiras mais populares do Paraguai, gerou forte tensão entre milhões de correntistas, atingindo diretamente cidadãos brasileiros que residem no país vizinho. A curitibana Sophia Assunção, de 22 anos, moradora de Encarnación, vivenciou momentos de apreensão com o congelamento de seus recursos antes de conseguir reaver o montante.

Crise financeira e intervenção estatal

O colapso teve início quando descobriu-se que o banco concedeu empréstimos acima de sua capacidade de suporte e reservas. Uma fatia expressiva desses valores foi repassada para empresas do próprio Grupo Vázquez, controlador da instituição, em transações de alto risco. Com a inadimplência dessas dívidas, a solvência do banco ruiu, forçando o Banco Central do Paraguai a intervir, decretar a liquidação e bloquear as contas de aproximadamente 3 milhões de pessoas, o equivalente a metade da população nacional.

Conhecida por sua alta digitalização e agências 24 horas, a instituição atraiu Sophia justamente pela semelhança com os serviços financeiros brasileiros. “Sempre gostei do Ueno por ele ser o mais próximo do ‘Nubank’ do Brasil, ele era o mais tecnológico daqui do Paraguai, com agências 24h – o único a operar assim – tudo muito digitalizado, diferente dos demais bancos e muito fácil pra resolver qualquer problema também. Enquanto ele ainda estava operando, o serviço era bom”, declarou a jovem.

O susto da madrugada e os protestos

A notícia da quebra surpreendeu a brasileira durante a madrugada. Como o banco patrocinava diversos eventos locais, não havia indícios públicos de insolvência. O impacto foi avassalador principalmente para os paraguaios, que concentravam no aplicativo os recursos para despesas cotidianas e comerciais, gerando manifestações populares nas ruas exigindo a liberação imediata dos valores.

“Eu sempre fui de ter contas em mais de um banco e em bancos mais antigos e tradicionais daqui. Tinha um valor pequeno na conta, então não chegou a me afetar tanto, visto que não estava tudo centralizado ali. (…) No início foi um desespero, principalmente para os paraguaios. Como eles não são muito bancarizados, o Ueno veio como uma proposta de mudar esse cenário e de fato mudou. Muitas pessoas colocaram o dinheiro das despesas mensais, do negócio e outros tudo nesse banco. No momento em que deram a notícia, o povo foi para a rua exigir que o dinheiro fosse liberado”, recordou.

A revolta popular cobrou punição aos envolvidos, resultando em um pedido do Ministério Público paraguaio pela prisão de oito pessoas, incluindo o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale.

Recuperação rápida e reflexos na fronteira

Apesar do momento crítico, a brasileira conseguiu transferir seu saldo para outra instituição financeira e realizar o saque rapidamente, elogiando a agilidade do Banco Central em conjunto com a rede privada. “A situação foi resolvida de maneira muito rápida pelo Banco Central, em parceria com os demais bancos privados, ontem mesmo (quinta-feira) meu dinheiro já caiu na conta de outro banco e pude sacar. Foi tudo muito rápido em termos de resoluções e responsabilidade também, então não tive muita dor de cabeça”, afirmou.

Especialistas avaliam que o episódio também acendeu o sinal de alerta para moradores e comerciantes da região de fronteira. Para Junior Ivan Bourscheid, professor da Unila, a rápida expansão digital atraiu muitos brasileiros, embora o reflexo macroeconômico nas relações bilaterais deva ser limitado.

“Muitos brasileiros que foram ao Paraguai acabaram utilizando os serviços do Banco Ueno justamente por ser uma instituição digital que cresceu muito rápido e oferecia facilidades. Para brasileiros que estão no Paraguai ou mesmo em Foz do Iguaçu, na região de fronteira, e que sejam correntistas do banco ou tenham relações econômicas no país, isso pode ter algum impacto”, ponderou o docente, complementando:

“Do ponto de vista mais amplo das relações comerciais, não vejo, num primeiro momento, um impacto tão grande. São relações históricas estabelecidas. Já tivemos outras crises econômicas e políticas no Paraguai e no Brasil que não provocaram uma interferência tão significativa nesse relacionamento”.

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