Estreando nos cinemas nesta quinta-feira (5), o filme nacional “Feito Pipa”, com direção de Allan Deberton, foi oficialmente selecionado para representar o Brasil na corrida por uma vaga no Oscar 2027. Em entrevista exclusiva, o elenco — composto por Lázaro Ramos, o estreante Yuri Gomes e a veterana Teca Pereira — abriu o jogo sobre os desafios das gravações, a campanha internacional e os bastidores da produção.
Estreia nos cinemas e bastidores marcantes
O jovem Yuri Gomes, de 11 anos, assume o papel principal como Gugu, um garoto viciado em futebol criado com muito carinho e liberdade pela avó Dilma, vivida por Teca Pereira. Lázaro Ramos, que interpreta o pai do menino, Batista, não escondeu a admiração pelo colega de cena mirim e brincou sobre o talento do garoto: “Nossa, foi, para mim, uma alegria do início ao fim. Desde o primeiro dia em que cheguei para ensaiar, conheci Yuri na sala de ensaio e já vi esse jovem tão talentoso, baiano… Talvez a maior qualidade dele seja ser baiano, não é?”.
O ator também celebrou a harmonia do projeto, que equilibra momentos densos com uma narrativa bem-humorada sobre laços familiares: “É um filme de que todo mundo está falando muito, da emoção da relação da avó com esse neto, do conflito com o pai, mas que, ao mesmo tempo, é divertido. Então, a gente riu muito, apesar de ser um filme que tinha momentos mais densos. Sabe quando você tem orgulho de contar uma história falada em português, no seu país? E dizendo assim: ‘Estamos mostrando um lado ótimo do cinema brasileiro’”.
Sobre uma cena específica em que seu personagem entrega uma revista adulta para Gugu, Yuri garantiu que o clima no set foi totalmente tranquilo: “Para mim, foi normal. Quem abriu não fui eu, foi a menina”. Lázaro complementou destacando o cuidado da produção com os atores mirins: “O tempo do filme era muito de respeitar o tempo deles e o conhecimento deles, então é muito legal isso. Você vê a equipe toda de direção cuidando deles nesse sentido […] Isso foi muito importante para ter o resultado que tem no filme”.
Curiosamente, o papel nem chegou a ser oferecido ao ator inicialmente. Foi o próprio Lázaro quem tomou a iniciativa após assistir ao trabalho anterior do cineasta: “O roteiro não chegou em mim. Eu pedi. Eu assisti ao primeiro filme do nosso diretor, o Allan Deberton, ‘Pacarrete’. Aí, acabou o filme, eu falei: ‘Oi, tudo bom? Eu sou o Lázaro Ramos. Quando você for fazer outro filme, eu queria que você me convidasse’. Passaram-se dois anos e meio, e ele me ligou dizendo assim: ‘Acho que tenho um filme para você fazer’”.
Expectativas e estratégia para o Oscar 2027
De olho na Academia, a equipe de “Feito Pipa” já movimenta suas peças para a campanha internacional. Lázaro demonstrou enorme entusiasmo com a oportunidade de levar diferentes facetas do audiovisual brasileiro para o exterior: “Eu não vou ser modesto nesse momento, porque eu acho que, de verdade, esse filme ter sido escolhido é importante para mostrar a diversidade do nosso cinema. E eu acho que o filme realmente tem credenciais, porque fala de temas que nós, enquanto brasileiros, entendemos muito, mas ele é universal […] Então, eu estou muito orgulhoso de esse filme estar representando o Brasil nesse momento. A gente nunca sabe se realmente o mercado americano, em três anos seguidos, vai escolher um filme brasileiro. Mas a gente está trabalhando para isso”.
Para pavimentar esse caminho, o artista buscou conselhos com quem já vivenciou a maratona da premiação, conversando com Wagner Moura e Walter Salles: “Assim que o filme foi selecionado, falei tanto com o Walter Salles quanto com o Wagner, que foram as pessoas que já estiveram lá e que estavam mais acessíveis. Foram supersimpáticos. Wagner deu conselhos, assistiu ao filme, gostou muito”.
Walter Salles também orientou o núcleo principal da obra: “O Walter Salles também fez uma reunião comigo, com o diretor e o produtor do filme, falando desse movimento, falando que é exaustivo, mas que é importante estar presente. É legal, tem sido bonito”.
Olhando ainda mais para o futuro, Lázaro fez uma previsão curiosa e apontou Camila Pitanga como a próxima brasileira a disputar a premiação, em 2028, relacionando o feito ao elenco do clássico “Saneamento Básico”: “Eu vi isso e tenho certeza de que a lista é essa, que está no ‘Saneamento Básico’. Eu acho que é uma vidência do diretor e roteirista Jorge Furtado. E eu acho que o Brasil pode contar com isso. Você vai seguindo a lista ali, assiste ao ‘Saneamento Básico’ e vai contando. Já foi a Fernanda Torres, Wagner, eu este ano; ano que vem, Camila Pitanga; depois, Bruno Garcia; depois, Tonico Pereira. Não sei qual vai ser a ordem exatamente, mas quem está naquele filme vai estar no Oscar”.
Envolvimento do diretor e da veterana Teca Pereira
O diretor Allan Deberton reforçou a importância do engajamento popular na campanha: “A gente tá contando muito com a torcida brasileira. A gente percebe essa acolhida, percebe o quanto o Oscar tem sido importante para o Brasil. Obviamente, é uma grande responsabilidade. Estamos arregaçando as mangas e dando o nosso melhor”.
Já Teca Pereira celebrou os desafios que a carreira lhe proporciona ao falar sobre a construção de sua personagem: “É bom mesmo. Quanto mais difícil, melhor, para você se desenvolver. A Dilma é uma personagem que tem um pouco da minha personalidade. Eu tenho um pouco disso também, particularmente”.
Sinopse da história
Ambientado no sertão cearense, o enredo de “Feito Pipa” explora a relação de Gugu e sua avó Dilma. Quando os primeiros sinais de Alzheimer começam a surgir na matriarca, o menino se vê na iminência de morar com o pai, Batista, enfrentando antigas distâncias e expectativas. Enquanto o passado da região submersa ressurge com a seca, a infância e as memórias afetivas guiam os passos do garoto em meio às mudanças.








