A Vale divulgou os resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre de 2026 na noite de uma quinta-feira, revelando números que trouxeram alívio ao mercado e impulsionaram os papéis da companhia. Com desempenho operacional sem grandes surpresas, mas com pontos fortes na geração de caixa e na divisão de metais básicos, as ações fecharam a sessão pós-balanço com valorização de 3,28%, embora acumulassem queda de 11,78% no mês.
Lucro e Ebitda alinhados às projeções
No período, a mineradora reportou um lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,255 bilhão, o que representou uma retração de 53% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O recuo foi influenciado por despesas relacionadas a Brumadinho, efeitos financeiros, pior resultado de equivalência patrimonial e impairment.
Por outro lado, o Ebitda ajustado pro forma atingiu US$ 3,5 bilhões. O montante ficou cerca de 14% menor ante o segundo trimestre e 20% abaixo na comparação anual, refletindo preços mais fracos do minério e pressão sobre custos, mas veio em linha com as expectativas de instituições como XP, Itaú BBA, Bradesco BBI, Morgan Stanley e JPMorgan.
Geração de caixa forte e dívida controlada
O fluxo de caixa operacional somou US$ 2,5 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre recorrente alcançou US$ 1,4 bilhão, superando as estimativas de diversas casas de análise. Esse desempenho foi impulsionado por incentivos fiscais, liberação de capital de giro e liquidação de derivativos, segundo o Bradesco BBI, que destacou um rendimento anualizado próximo de 12%.
Como reflexo desse cenário, a dívida líquida expandida recuou para US$ 16,4 bilhões, mantendo-se confortavelmente dentro da meta estipulada pela gestão, que oscila entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões.
Desafios na produção de minério de ferro
A divisão de minério de ferro continuou sob escrutínio devido à queda na produção para 88,4 milhões de toneladas — recuo de 6% na base anual —, impactada pela menor disponibilidade de minério em Serra Norte. O preço realizado do insumo caiu para US$ 85,1 por tonelada, pressionado por ajustes FOB e redução nos prêmios de qualidade.
Apesar disso, a companhia manteve inalterada sua projeção de produção para o ano, apontando para o piso da faixa entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas. No entanto, o Goldman Sachs demonstrou cautela quanto à sustentabilidade para 2027 diante da exaustão mais rápida de Serra Norte e da dependência de compras de terceiros.
Metais básicos e desempenho do cobre
Em contrapartida, a unidade Vale Base Metals registrou Ebitda de aproximadamente US$ 1,1 bilhão, disparando mais de 60% na comparação anual. O avanço foi liderado pelo cobre, cujo Ebitda aproximou-se de US$ 1 bilhão, impulsionado por preços realizados mais elevados e créditos de subprodutos que compensaram a manutenção programada em Sossego.
O custo caixa C1 do minério ficou em US$ 23,1 por tonelada, surpreendendo positivamente, enquanto o frete marítimo permaneceu controlado em US$ 22,8 por tonelada por meio de contratos de longo prazo e hedge.
Visão do mercado financeiro
As avaliações das instituições financeiras dividiram-se entre o otimismo com a eficiência e a cautela com os próximos trimestres. O Itaú BBA manteve recomendação outperform com preço-alvo de R$ 94, e o Bradesco BBI reiterou a mesma recomendação ao avaliar que os riscos já estão precificados.
Já o Goldman Sachs adotou postura neutra, focando nas incertezas para 2027, enquanto a XP classificou o balanço como neutro a marginalmente positivo, sustentado pela disciplina de custos e pela robustez do caixa.








