As companhias brasileiras listadas na B3 sofreram uma desvalorização histórica na semana posterior ao segundo turno das eleições presidenciais, acumulando uma perda de R$ 963 bilhões em valor de mercado.
Impacto bilionário no mercado brasileiro
O valor de mercado consolidado das empresas despencou de R$ 5,684 trilhões em 23 de outubro para R$ 4,721 trilhões em 30 de outubro, representando um recuo de 16,94%. O tombo semanal de 18,12% no Ibovespa foi o pior desde março de 2020 e praticamente apagou todo o ganho acumulado ao longo de 2026.
“Para dimensionar a magnitude dessa perda, o montante equivale a 1,31 vez o valor de mercado da Petrobras (PETR3;PETR4), atualmente estimado em R$ 734 bilhões. Em outras palavras, a Bolsa brasileira perdeu, em apenas uma semana, o equivalente a uma Petrobras inteira e mais R$ 229 bilhões”, aponta levantamento da consultoria Elos Ayta.
Fatores macroeconômicos e o salto do dólar
O cenário foi agravado por temores fiscais, projeções desfavoráveis para os juros e um ambiente internacional de forte aversão ao risco. Paralelamente, o dólar disparou mais de 9% na semana, atingindo sua maior cotação de 2026.
O head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, atribui o tombo do real na semana, sobretudo, ao fato de os investidores terem se posicionado “unilateralmente” para a vitória eleitoral da oposição, na qual estavam depositadas as expectativas de um ajuste fiscal robusto a partir de 2027.
Ações em destaque e tombos generalizados
Com a pressão generalizada, apenas poucos papéis conseguiram fechar no azul, impulsionados pelo perfil exportador, como Suzano (SUZB3), WEG (WEGE3) e Embraer (EMBJ3). Em contrapartida, dezenas de ativos desabaram, com destaque para quedas superiores a 50% em papéis como Vamos (VAMO3) e Magazine Luiza (MGLU3).
O sócio-cofundador e head de renda variável da Lince Investimentos, Lucas Castro, avalia que o mercado ainda busca um novo ponto de equilíbrio diante da incerteza sobre a política econômica brasileira a partir do ano que vem.
“O mercado brasileiro segue pressionado pelos reflexos do resultado das eleições, que provocou uma forte reprecificação dos ativos diante das incertezas sobre a condução da política econômica e fiscal”, afirma. “Esse movimento é agravado pelo desmonte de posições de investidores que apostavam em uma vitória da oposição, provocando saída de recursos e mudanças nas expectativas para a trajetória dos juros.”
A forte rotação setorial e a saída de capital estrangeiro redefiniram o panorama da Bolsa de valores, deixando os investidores em alerta para os próximos passos da economia nacional.








