A Vale (VALE3) divulgou seus resultados financeiros após o fechamento do mercado, em um cenário marcado por expectativas sobre a rentabilidade da companhia frente aos custos logísticos e à oscilação nos preços do minério de ferro.
Expectativas e projeções do mercado
Antes da divulgação oficial, o Itaú BBA projetava um Ebitda proforma de US$ 3,5 bilhões para o terceiro trimestre, o que representaria uma retração de 14% na comparação anual. A métrica exclui reflexos dos acordos de Brumadinho e Mariana para refletir com mais precisão a atividade operacional.
As estimativas compiladas pela LSEG indicavam receita de US$ 10,199 bilhões, Ebitda de US$ 3,461 bilhões e lucro líquido de US$ 1,381 bilhão. No mesmo período do ano anterior, em 2025, a mineradora havia reportado lucro líquido de US$ 2,68 bilhões.
Impacto de custos e fretes
Especialistas apontaram que despesas logísticas adicionais poderiam pressionar as margens, mesmo com a previsão de alta de cerca de 4% nos embarques de minério de ferro. Apesar do choque de fretes na rota Brasil-Ásia, o JPMorgan classificou o momento atual como uma oportunidade de compra, argumentando que a vantagem de custo da mineradora permanece em patamares elevados.
Na Bolsa de Dalian, na China, o contrato de minério de ferro mais negociado subiu 2,4%, alcançando 682 iuanes por tonelada, enquanto o contrato de referência em Cingapura avançou para US$ 91,6 por tonelada.
Diversificação e foco no cobre
Em meio aos desafios da commodity principal, a companhia destacou planos ambiciosos para o setor de metais básicos. “A companhia afirmou, neste tri, que pretende dobrar a produção de cobre até 2034”, informou a empresa. Atualmente, a produção gira em torno de 380 mil toneladas anuais, com meta de atingir cerca de 700 mil toneladas até 2034, conforme declaração de Marcelo Bacci, vice-presidente executivo e CFO da mineradora.
Casas de análise como Goldman Sachs, XP Investimentos e Bradesco BBI apontam que o licenciamento ambiental e o desenvolvimento de projetos continuam como os principais desafios para alcançar as metas de expansão no cobre, o que também tende a deixar os dividendos mais contidos em comparação aos anos de alta forte do minério.
Desempenho das ações e contexto
Os papéis VALE3 encerraram o pregão com baixa de 2,17%, cotados a R$ 60,05, acumulando desvalorização no ano e operando perto das mínimas de 2026. A sessão também foi influenciada pelo comportamento desfavorável do Ibovespa, que recuou 1% e registrou sua quarta queda consecutiva, fechando abaixo dos 170 mil pontos em meio à cautela fiscal doméstica.
A partir deste período, a empresa passou a integrar suas informações operacionais, de vendas e financeiras no Relatório de Desempenho, substituindo o antigo Relatório de Produção e Vendas independente.







