O governo dos Estados Unidos exigiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retirasse de sua carta de pronunciamento o trecho em que se declarava o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A intervenção ocorreu após autoridades de Washington temerem que a declaração fosse interpretada como um reconhecimento oficial da autoproclamação, o que poderia abalar as relações diplomáticas com a gestão brasileira.
Bastidores da exigência em Washington A informação foi revelada por jornalistas de diferentes veículos e confirmada por diplomatas que acompanharam os desdobramentos. De acordo com assessores do Departamento de Estado ouvidos por comentaristas políticos, a formulação inicial gerou forte incômodo nos bastidores americanos. A administração do presidente Donald Trump autorizou a emissão de visto humanitário e a entrada do senador e de sua família no país, mas deixou claro que o acolhimento não significava aval político à tese de vitória eleitoral.
Declarações de Donald Trump Questionado diretamente sobre o teor do documento, o líder norte-americano evitou entrar em polêmicas, mas voltou a criticar o pleito brasileiro. “Bem, não vou comentar isso, mas sei que demos autorização para que ele entrasse no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver”, afirmou. Trump também disse que “Foi uma eleição muito estranha, isso é certo. Achei que eles foram tratados de maneira muito injusta”, e acrescentou: “Não quero comentar isso agora, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro”, “Acompanhei a eleição. Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente (Lula) — o atual presidente — me pediu para não tomar partido. E eu não tomei. Mas, ao observar o que aconteceu no Brasil… bem, basta olhar para o mercado. O mercado despencou. Enfim, achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”.
Modificações na carta e cancelamento de coletiva Na primeira versão da nota, divulgada na quarta-feira (28), o parlamentar também usava um brasão antigo com a grafia “Estados Unidos do Brazil”. Após a pressão diplomática, o texto foi modificado para substituir expressões como “presidente eleito” por “líder do Brasil”, além da troca do emblema oficial. Uma entrevista coletiva que aconteceria em Miami também acabou cancelada na véspera.
Apesar das críticas feitas por aliados e do questionamento sobre a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou a lisura e a transparência do pleito, enquanto o PL reconheceu o resultado que garantiu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.







