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Reeleição de Lula repercute fortemente na grande imprensa internacional

Veículos da Europa, Ásia e Estados Unidos destacam a virada histórica e os desafios econômicos e políticos do novo mandato presidencial.

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Vitória de Lula repercute na imprensa europeia e asiática

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para o seu quarto mandato na Presidência da República, confirmada neste domingo (25) após uma virada inédita sobre o senador Flávio Bolsonaro, repercutiu intensamente nos principais veículos de comunicação da Europa e da Ásia. Pela primeira vez na história eleitoral brasileira, um candidato conseguiu reverter no segundo turno uma desvantagem construída na etapa anterior.

Repercussão na imprensa europeia e asiática

O periódico francês Le Monde classificou a vitória de Lula como “nada menos do que um milagre, considerando o quanto as pesquisas apontavam o contrário”, destacando a forte mobilização popular nas ruas e redes sociais como o grande diferencial para o resultado histórico.

O jornal ainda enfatizou o repúdio de parte expressiva do eleitorado ao avanço da direita:

“O fantasma do retorno a uma forma mais radical de bolsonarismo, alinhada aos Estados Unidos de Donald Trump, levou os brasileiros a comparecerem em massa para dar à esquerda uma nova chance. Essa vitória decisiva mostra que o compromisso com a democracia, a soberania nacional, a proteção da Amazônia e a justiça social continua muito vivo entre os 214 milhões de cidadãos brasileiros.”

Impactos geopolíticos e relações internacionais

Para o jornal britânico The Guardian, o desfecho representou um revés direto para a Casa Branca, apontando Trump como “o aliado internacional mais importante do clã Bolsonaro”.

“O presidente dos EUA esperava que Bolsonaro se tornasse o mais recente de uma série de líderes pró-Trump a assumir o poder na América Latina, incluindo Abelardo de la Espriella na Colômbia, Daniel Noboa no Equador, José Antonio Kast no Chile e Javier Milei na Argentina.”

A rede britânica BBC ressaltou que a permanência de Lula no poder destoa do cenário predominante no continente, onde a maioria dos governos possui alinhamento conservador. A emissora pontuou que a manutenção do Brasil sob a influência de gestões progressistas é estratégica para os interesses norte-americanos na contenção econômica de Pequim:

“O Brasil, rico em petróleo e detentor da segunda maior reserva mundial de minerais de terras raras, é o único grande país da América do Sul que não é governado por um líder de direita, sendo Lula amplamente visto como amigável à China.”

Desafios econômicos e governabilidade

A agência Reuters apontou que a condução da política fiscal e a resistência do Poder Legislativo serão os principais obstáculos do governo recém-eleito. Segundo análise do jornalista Brendan O’Boyle, propostas voltadas para a valorização salarial colidem com a necessidade de controle da dívida pública.

“As promessas de Lula para garantir que os aumentos do salário mínimo permaneçam acima da inflação estão entre as propostas que entram em conflito com a crescente pressão para manter a dívida pública sob controle. Assessores de Lula também sinalizaram que ele continuará pressionando para reduzir incentivos fiscais, mas os parlamentares têm resistido repetidamente a medidas que aumentam a carga tributária efetiva.”

Ademais, a governabilidade na esfera institucional também foi questionada:

“O Congresso provavelmente bloqueará ou desacelerará as nomeações de Lula para cargos-chave, dizem analistas. Pela primeira vez desde a redemocratização do Brasil, o Poder Executivo estará claramente em desacordo com o Senado.”

No Japão, o Japan Times definiu o resultado nas urnas como “chocante” e rotulou o político brasileiro como o “presidente icônico da classe trabalhadora brasileira”.

Manifestações de líderes globais

Chefes de Estado e representantes de diferentes potências internacionais também se pronunciaram sobre o pleito. A China enviou felicitações por meio do Ministério dos Negócios Estrangeiros: “A China está disposta a trabalhar com o Brasil para continuar a avançar na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre os dois países”.

O presidente russo, Vladimir Putin, enviou uma mensagem direta ao aliado:

“Prezado amigo, aceite meus mais calorosos parabéns por sua reeleição como presidente da República Federativa do Brasil. Os resultados da votação confirmaram plenamente o reconhecimento de seus concidadãos às suas notáveis qualidades de liderança, seu apoio à política de desenvolvimento socioeconômico sustentável do país e a proteção de sua soberania e legítimos interesses no cenário global”.

Pela Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen celebrou o desfecho democrático: “Parabéns ao amigo Lula pela sua vitória eleitoral. A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”. Apesar do apoio externo, o presidente reeleito precisará administrar um cenário interno marcado por forte polarização política e um Congresso majoritariamente conservador.

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