A maneira como a epiderme se regenera e reage a machucados apresenta distinções biológicas entre homens e mulheres. Um levantamento científico veiculado no periódico Nature em 14 de outubro de 2026 monitorou células-tronco cutâneas de camundongos ao longo de cinco meses, descobrindo que os hormônios sexuais exercem forte impacto na atividade celular.
Microscopia e monitoramento de longo prazo
Especialistas da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, em cooperação com centros acadêmicos internacionais, empregaram técnicas avançadas de microscopia para examinar a epiderme de roedores vivos. Ao vigiar linhagens celulares específicas por quase meio ano, o grupo avaliou o ciclo de divisão, maturação e migração dessas unidades estruturais.
O achado central apontou divergências na sincronia da atividade celular. Nas fêmeas, o processo ocorreu de forma mais coordenada, o que facilitou o fechamento precoce das lesões. Já nos machos, a resposta se mostrou menos uniforme.
O papel dos andrógenos na epiderme
Para destrinchar o impacto hormonal, os autores conduziram testes com machos castrados e ministraram reposição de compostos ativos. A privação de testosterona modificou o comportamento tecidual, enquanto a aplicação de di-hidrotestosterona (DHT) reverteu parte das alterações observadas.
Testes em tecidos humanos em laboratório
Ao testar queratinócitos humanos em modelos tridimensionais, os cientistas notaram reações semelhantes após a exposição à DHT. Embora os dados sugiram semelhanças biológicas, os especialistas ressaltam que culturas laboratoriais não substituem a complexidade do organismo humano vivo.
Apesar do avanço, os autores alertam que a descoberta não valida o uso de terapias hormonais caseiras ou a alteração de condutas médicas atuais. Novas investigações clínicas são imprescindíveis para compreender totalmente o impacto dessas dinâmicas celulares em humanos.







