–:–:–
Conecte-se conosco

El Niño altera cor do oceano Pacífico e ameaça a vida marinha

Registros de satélite da NASA revelam impacto na base da cadeia alimentar e reflexos diretos na economia global e na pesca.

29 visualizações
El Niño muda a cor do oceano e ameaça vida marinha

Imagens de satélite da NASA revelam que trechos do Oceano Pacífico transitaram de tonalidades esverdeadas para um azul mais profundo entre 2025 e 2026. Essa transformação decorre do El Niño, um evento climático que eleva a temperatura das águas e desencadeia uma forte queda nas populações de fitoplâncton, organismos microscópicos fundamentais para os ecossistemas marinhos.

Monitoramento espacial do clima

O registro foi capturado pelo Ocean Color Instrument, equipamento acoplado ao satélite PACE, cuja função é rastrear variações na luz visível para examinar a dispersão desses seres vivos. O episódio atual tem potencial para se consolidar como o El Niño mais intenso já documentado, com marcas térmicas no Pacífico tropical aproximadamente 4 °C acima da normalidade, conforme divulgado por um estudo do portal IFLScience.

Por que o oceano está ficando mais azul?

O fitoplâncton engloba milhares de espécies microscópicas que realizam fotossíntese e geram pigmentos variados, influenciando diretamente a coloração oceânica. Na faixa equatorial do Pacífico, predominam linhagens verdes carregadas de clorofila. Contudo, esses organismos necessitam de águas frias e fartas em nutrientes. Com o avanço do El Niño e o aquecimento superficial, o afloramento de águas profundas ricas em nutrientes diminui, prejudicando a proliferação do fitoplâncton.

As informações coletadas pelo satélite PACE tornam essa mutação visível. Cores azuladas apontam baixa densidade de fitoplâncton, ao passo que manchas verdes e amareladas revelam maior abundância. Ao longo de grande parte de 2025, uma extensão verdeizada cobria o Pacífico da América Latina até o Sudeste Asiático. Já em 2026, com a consolidação do fenômeno, essa faixa perdeu força, concentrando o enfraquecimento nas zonas central e oeste.

Impactos na cadeia alimentar e pesca

A retração desses micro-organismos prejudica diversos extratos da cadeia alimentar oceânica. Krill, zooplâncton, moluscos filtradores e outros animais de pequeno porte dependem do fitoplâncton para sobreviver e, por sua vez, sustentam predadores maiores. Com menos recursos na base da cadeia, o alimento escasseia e gera repercussões em todo o ecossistema marinho.

A atividade pesqueira também sofre com o aquecimento das águas. Relatos apontam que barcos operando na costa pacífica sul-americana voltam com redes vazias, enquanto espécies comerciais como atuns e anchovas migram para locais mais frios, encarecendo o preço desses pescados no mercado.

Consequências globais do fenômeno

As repercussões ultrapassam o habitat marinho. Embora tenha origem no aquecimento das águas do Pacífico central e leste, o El Niño desregula o clima e o regime meteorológico em escala global.

“Ver os resultados desses dados em tempo real é uma recompensa incrível”, afirmou Matthew Kehrli, cientista-chefe de pesquisa da equipe do satélite PACE no Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, em comunicado.

Josh Willis, cientista do projeto de missões de nível do mar do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, na Califórnia, enfatizou a abrangência do evento ao declarar que “o El Niño afeta quase todo mundo de alguma forma toda vez que acontece”.

O estudo reforça que o Pacífico tropical registra temperaturas 4 °C acima da média. Um precedente de força equiparável ocorreu entre 1997 e 1998, período em que o fenômeno foi correlacionado a 23 mil mortes e prejuízos de US$ 5,7 trilhões à economia mundial.

Mais em Tecnologia

Ver tudo →