A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de um inquérito para apurar a suspeita de que o senador Flávio Bolsonaro seria sócio oculto da plataforma de apostas esportivas Best Bet. A solicitação ocorreu após revelações sobre conexões financeiras e societárias envolvendo o parlamentar e empresas do setor.
Vínculos societários e contas bancárias
Investigações apontam que o senador figurava como “usuário máster” em uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. O advogado Willer Tomaz, alvo de apurações sobre irregularidades financeiras, também estava cadastrado na mesma condição. A Alcazar mantém ligações empresariais com a Cathedral Holdings, controladora da Best Bet. A plataforma operava em parceria com a Loterj durante a gestão de Cláudio Castro, aliado político do parlamentar.
Movimentações financeiras e viagens internacionais
Novos desdobramentos indicam que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu notas fiscais milionárias entre 2023 e 2026. Parte dos pagamentos foi direcionada a uma conta no Santander compartilhada, segundo a apuração, com Willer Tomaz. Relatórios indicam que os dois realizaram viagens juntos e utilizaram jatinhos corporativos, incluindo um trajeto entre Portugal e França em maio de 2025.
Disputa regulatória e mercado de apostas
A Best Bet operava com autorização estadual da Loterj, mas enfrentou forte oposição do governo federal quanto à sua atuação nacional. A União contestou empresas autorizadas apenas por estados, resultando em decisões judiciais, incluindo uma determinação do ministro André Mendonça que restringiu a operação da empresa ao Rio de Janeiro. Na mesma época, lideranças do setor de apostas demonstraram apoio à corrida presidencial do senador.
Posicionamento dos investigados
Diante das acusações, Flávio Bolsonaro afirmou ao UOL que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”. Por sua vez, Willer Tomaz declarou que a conta bancária “nunca lhe pertenceu” e que “jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma”. As investigações seguem em andamento para esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados.







