A prisão da influenciadora brasileira Malévola Alves foi oficialmente confirmada nesta terça-feira (20) pelo Ministério do Interior do Egito. A detenção ocorreu após a repercussão de gravações em que ela e uma amiga aparecem caminhando por vias públicas e realizando abordagens consideradas impróprias.
Prisão em Alexandria De acordo com o pronunciamento emitido no perfil oficial do órgão no X (antigo Twitter), as autoridades agiram após a circulação das imagens na internet.
O texto detalha que “duas turistas estrangeiras” foram localizadas e detidas na província de Alexandria. A investigação foi iniciada para apurar registros de “duas turistas estrangeiras que realizavam atos de exibicionismo pornográfico”. “[Elas] faziam insinuações sexuais e assediavam pedestres enquanto caminhavam por diversas ruas de diferentes províncias”, diz o comunicado.
Em trecho divulgado pelas autoridades, consta que “Durante as investigações, foi possível identificar e prender as duas mulheres que aparecem nos vídeos, ambas de nacionalidade estrangeira, sendo que uma delas é criadora de conteúdo. As duas foram localizadas na província de Alexandria”.
Confissão e motivação Durante os interrogatórios conduzidos pelas autoridades locais, as investigadas admitiram a prática dos atos exibidos nas gravações.
Segundo o governo egípcio, as mulheres confessaram os atos descritos, além de terem gravado os vídeos e publicado o material nas redes sociais “com o objetivo de aumentar o número de visualizações”. O órgão concluiu informando que “As medidas legais cabíveis foram tomadas, e o Ministério Público assumiu a investigação do caso”.
Contexto legal e social Antes da confirmação oficial por parte do governo, a própria influenciadora utilizou suas redes sociais para relatar que havia sido levada a uma delegacia na companhia de uma amiga. Conforme o relato, os documentos de viagem foram retidos e ambas passaram por questionamentos, inclusive a respeito de suas identidades de gênero.
O episódio se desenrola em um cenário marcado por forte repressão aos direitos da comunidade LGBTQIAPN+ no país norte-africano. Embora o código penal egípcio não proíba explicitamente a homossexualidade, artigos voltados ao combate à prostituição, à “libertinagem” e à preservação dos valores morais da família costumam ser aplicados para justificar prisões e processos judiciais contra essa parcela da população.







