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Lucro da Tesla despenca para US$ 787 milhões no trimestre

Montadora de Elon Musk enfrenta queda acentuada nos ganhos enquanto direciona bilhões para inteligência artificial e robótica.

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Tesla vê lucro cair enquanto investe em IA e robôs

Pelo segundo trimestre consecutivo, a Tesla apresentou uma retração em seus ganhos financeiros. No terceiro trimestre de 2026, a fabricante de veículos elétricos alcançou um lucro líquido de US$ 787 milhões, montante expressivamente inferior ao US$ 1,4 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior. A receita da montadora totalizou US$ 28 bilhões, mantendo-se em patamar estável na comparação anual.

O desempenho financeiro não atingiu o consenso de Wall Street. As projeções médias compiladas pela companhia indicavam a expectativa de vendas na casa de US$ 28,3 bilhões e um lucro de US$ 815 milhões para o período.

Aposta em inovação e possível fusão com a SpaceX

O recuo na rentabilidade coincide com a escalada nos aportes voltados a veículos autônomos, inteligência artificial e robôs humanoides. Elon Musk já havia sinalizado aos acionistas que os custos com essas tecnologias emergentes pesariam sobre as margens no curto prazo, visto que ainda trazem retorno financeiro modesto.

Em paralelo, Musk revelou que está em estudo uma união corporativa entre a montadora e a SpaceX. A concretização da fusão criaria um conglomerado focado em múltiplos setores de ponta, agregando internet satelital, mobilidade autônoma, exploração espacial, inteligência artificial e robótica avançada.

Novos projetos e a força do Model 3 e Model Y

Entre os lançamentos recentes, a fabricante iniciou em 2026 a fabricação do caminhão pesado Semi e do Cybercab, carro autônomo projetado sem volante nem pedais. O caminhão, no entanto, ainda tem ritmo de entrega reduzido, enquanto o Cybercab não começou a ser comercializado. Recentemente, a marca também exibiu a nova geração do esportivo Roadster — com promessa de voos curtos —, cuja estreia fabril ficou para 2028 e com preços elevados. Paul Miller, analista principal da Forrester, avaliou que o Roadster, em sua forma atual, representa uma distração e não uma contribuição significativa ao portfólio de produtos da Tesla.

Com as novidades ainda distantes de impactar o caixa, o faturamento da montadora segue sustentado pelo Model Y e pelo Model 3. As ferramentas de condução assistida têm mantido o apelo dos dois modelos e impulsionado a demanda nos Estados Unidos e na Europa. Segundo dados da Cox Automotive, a fatia da Tesla nas vendas de carros elétricos novos nos Estados Unidos atingiu 54% no terceiro trimestre, recuperando o fôlego após ter caído para menos da metade em 2024.

Estratégia diverge do restante da indústria

O movimento agressivo da Tesla em novas frentes contrasta com o freio puxado por rivais tradicionais nos veículos elétricos. Montadoras como a General Motors e a Ford revisaram seus planos diante de prejuízos recentes no setor.

A GM, por exemplo, registrou um lucro de US$ 3,3 bilhões no mesmo trimestre — mais que o dobro do ano anterior —, puxado pelo comércio de utilitários esportivos e picapes a combustão, mesmo após contabilizar baixas contábeis de mais de US$ 11 bilhões ligadas a elétricos. Apesar disso, a companhia afirma manter o compromisso com a eletrificação e trabalha no desenvolvimento de baterias mais baratas para fazer frente à concorrência global das marcas chinesas.

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