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Fragmentos de estátuas do faraó Ramsés II são encontrados “sem querer” no Egito

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Fragmentos de estátuas do faraó Ramsés II são encontrados “sem querer” no Egito

Duas estátuas de um dos faraós mais longevos e importantes da história egípcia foram encontradas. A descoberta foi feita por Khaled el-Shahat, um trabalhador local que encontrou vestígios das peças em sua propriedade, na vila de Behbeit El Hagar, na província de Gharbia.

Ao encontrar os fragmentos, Khaled informou o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, que enviou uma equipe de escavação ao local. A descoberta foi divulgada na semana passada em comunicado da organização no Facebook.

A vila de Behbeit El Hagar faz parte de um importante sítio arqueológico do Baixo Egito. Às margens de uma ramificação do rio Nilo, o local abrigou um templo dedicado a Ísis, uma das deusas mais veneradas do Egito Antigo.

Para quem tem pressa:

  • Duas estátuas de Ramsés II, um dos faraós mais importantes do Egito Antigo, foram encontradas na vila de Behbeit El Hagar, no Egito;
  • Uma das peças representa a cabeça do faraó com duas coroas e pode ter pertencido a uma estátua de oito metros. A outra tem 2,4 metros de altura e mostra Ramsés II usando o nemes, um acessório tradicional dos faraós;
  • O local abrigou um antigo templo dedicado à deusa Ísis e já revelou outros vestígios ligados a Ramsés II. Pesquisadores alertam que o crescimento urbano pode ameaçar a preservação do sítio arqueológico.

Ramsés II e o Egito Antigo

Templo de Ramsés II em Abu Simbel, Egito – Imagem: Leo Kohout / Shutterstock

Filho de Seti I e Tuia, o faraó Ramsés II foi um dos maiores governantes do Egito Antigo. Chegando ao poder ainda jovem, aos 14 anos, ele ficou conhecido não somente por suas habilidades militares, mas também por sua “diplomacia”.

Com cerca de 66 anos de reinado, entre 1279 e 1213 a.C., Ramsés II teve mais de 100 filhos e foi casado com a rainha Nefertari, famosa e influente figura política do período. Considerada a “esposa favorita de Ramsés II”, possuía habilidade de leitura e escrita em hieróglifos, algo raro até mesmo entre a realeza.

Conhecido como “o governante dos governadores”, Ramsés II também deixou um importante legado arqueológico. Com templos e construções monumentais, foi um dos faraós que mais investiram em estátuas e obras em sua homenagem.

Seu templo funerário, o Ramesseum, na atual cidade de Luxor, contava com uma estátua de aproximadamente 17 metros de altura. O local também era dedicado à adoração de deuses como Amon-Rá, Ptah e Osíris.

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As estátuas encontradas

Ramsés II e sua coroa dupla – Imagem: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito

A imagem divulgada representa um fragmento de uma das estátuas encontradas. A peça retrata a cabeça de Ramsés II com uma coroa dupla conhecida como “Nesu Bety“, que simboliza a união do Alto e do Baixo Egito sob o governo do faraó. Estima-se que a estátua completa tivesse oito metros de altura, enquanto apenas o rosto e a coroa medem 1,6 metro.

Na parte traseira da estátua há uma inscrição hieroglífica com o nome “Hor-Ka-Nakht-Mery-Maat”. Essa denominação alternativa de Ramsés II estaria ligada a um título associado ao deus Hórus. Seu significado seria algo como “Touro Forte, Amado da Justiça e da Verdade”.

A outra estátua encontrada tem 2,4 metros de altura e representa Ramsés II usando um “nemes“, acessório semelhante a um lenço utilizado por faraós. Na base do monumento, há duas inscrições: “Rei do Alto e Baixo Egito” e “Filho de Rá”, em referência ao deus do Sol do Egito Antigo.

Os achados relacionados a Ramsés II não são novidade no sítio arqueológico de Behbeit El Hagar. Em 2017, outros fragmentos associados ao faraó foram encontrados nas proximidades do templo de Ísis.

Além de mostrar o investimento do faraó em monumentos e construções em sua homenagem, as descobertas também reforçam a importância da preservação do local. Mahmoud Emam, pesquisador da Universidade do Cairo que participou das pesquisas realizadas em 2017, afirmou que o crescimento urbano da região pode dificultar as investigações e degradar vestígios históricos, tornando necessário um cuidado maior com a área.

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