A segunda semana após o primeiro turno das eleições presidenciais encerrou com o pleito novamente empatado numericamente, impondo desafios distintos para as duas campanhas envolvidas. O presidente Luiz Inácio Lula da Sila retomou espaço político, reenergizou a militância e conseguiu trazer o governo para o centro das atenções, impulsionado principalmente pela tramitação do fim da escala 6×1. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro viu o ímpeto obtido nas urnas arrefecer e acendeu o sinal amarelo internamente.
A reviravolta nas pesquisas eleitorais
Essa mudança de cenário ficou evidente no levantamento do instituto PoderData, publicado em uma sexta-feira, que colocou ambos os candidatos com 50% dos votos válidos cada um. Na rodada anterior, divulgada em 8 de outubro, o cenário era favorável ao senador do PL, que liderava com 53% contra 47% do atual mandatário, desfazendo a diferença de seis pontos percentuais em pouco mais de sete dias.
O resultado reflete uma alteração significativa no clima político, visto que o representante oposicionista havia terminado a etapa inicial com mais votos e vantagem nas estatísticas. A estratégia inicial focou na costura de apoios, mas a percepção de vitória antecipada acabou desmobilizando parte dos aliados da direita, exigindo correções de rota urgentes na última semana.
A ofensiva do Palácio do Planalto
A principal transformação veio com a reativação da base petista, que promoveu atos e caminhadas em pelo menos 37 municípios desde o dia 9 de outubro, contando com o apoio de influenciadores e artistas. Além da mobilização popular, o chefe do Executivo adotou medidas de forte apelo popular, como a proposta de gratuidade nos ônibus urbanos aos finais de semana, a elevação do teto de faturamento do MEI e a pauta da redução da jornada laboral.
O grande marco dessa ofensiva foi a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição sobre o fim da escala 6×1 no Senado, registrada em uma quarta-feira por 75 votos a 1. A medida reduziu a carga semanal de 44 para 40 horas sem corte nos vencimentos, colocando a oposição em uma situação delicada de voto defensivo para evitar maiores desgastes junto ao eleitorado.
O cenário de expectativas e o primeiro debate
Apesar da reação governista, análises internas apontam indícios de estabilização nas intenções de voto para o atual presidente, sugerindo que ele pode estar próximo de seu teto, enquanto o adversário consolidou um patamar mínimo de eleitores. Além disso, 51% dos entrevistados ainda acreditam na vitória do senador, contra 42% que apostam na reeleição do petista.
O primeiro debate televisivo direto entre os dois concorrentes, marcado para a noite de domingo na Band, surge como elemento decisivo para definir os rumos da última semana antes do pleito de 25 de outubro. Para o presidente, o encontro representa a chance de confrontar o rival e explorar sua vasta experiência em debates, enquanto a oposição busca manter a vantagem na percepção de vitória dos eleitores.







