O Sindicato dos Professores de São Paulo confirmou que vai acionar órgãos de justiça e fiscalização após receber denúncias de docentes do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo sobre supostas práticas de assédio eleitoral cometidas pelo reitor Paulo Cardim.
Ausência em reunião oficial
A entidade sindical revelou na quinta-feira (15.out.2026) que o material recolhido será remetido ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério Público Eleitoral e também ao Tribunal Superior Eleitoral para as devidas providências legais.
O dirigente foi convocado para prestar esclarecimentos durante encontro promovido pela diretoria do SinproSP, mas optou por não comparecer à sabatina marcada para a manhã da mesma quinta-feira.
Mensagens enviadas por e-mail
A investigação interna aponta que o reitor utilizou a conta de correio eletrônico corporativa da instituição de ensino para disparar comunicados aos docentes, intensificando a frequência dos envios a partir do início do mês de outubro, após iniciar os disparos em fevereiro de 2026.
Os registros em imagem demonstram que os textos continham fortes ataques direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à gestão federal, além de duras críticas a ideologias de esquerda e ao comunismo.
Conteúdo das mensagens
Entre as mídias compartilhadas, destacou-se uma fotografia do chefe do executivo nacional com o rosto sujo de lama acompanhada pela legenda “o inimigo é sujo”, além de declarações afirmando que seu voto “não vai para quem faz traficante sorrir”.
Procurada anteriormente, a instituição de ensino declarou que não se pronunciaria sobre o caso e manteve o silêncio após novos contatos da reportagem para comentar a decisão do sindicato de recorrer à justiça.
Posicionamento oficial
Em nota oficial divulgada à imprensa, a entidade representativa dos docentes detalhou a situação:
“O reitor do Centro Universitário Belas Artes, Paulo Cardim, não compareceu à reunião convocada pela diretoria do SinproSP para a manhã desta 5ª feira (15.out). Cardim foi chamado para dar explicações sobre denúncia de assédio eleitoral feito por meio de mensagens enviadas por e-mail para os professores.”
“O SinproSP vai encaminhar as denúncias de assédio eleitoral no trabalho para o Ministério Público do Trabalho, para o Ministério Público Eleitoral e para o Tribunal Superior Eleitoral.”
Atuação da diretoria nas redes
Paralelamente aos episódios envolvendo o reitor, manifestações públicas nas redes sociais de familiares ligados à gestão da faculdade chamaram atenção durante o período eleitoral.
A CEO da instituição e filha do reitor, Patricia Cardim, utilizou suas plataformas digitais para enaltecer figures políticas, como em 22 de setembro, quando classificou Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, como uma “grande defensora do feminino” após uma visita acadêmica.
Dias depois, em 2 de outubro, a executiva integrou uma postagem colaborativa registrando um encontro de oração que contou com a presença do próprio Flávio Bolsonaro e da economista.







