Trabalhadores da saúde do Hospital Vita BR, situado no Bairro Alto, na capital paranaense, paralisaram as atividades na manhã desta quinta-feira (15). O ato foi motivado pela ausência de repasses salariais, cuja quitação deveria ter ocorrido até o quinto dia útil, seguida pelo descumprimento de um acordo firmado com a administração que prometia o acerto para o dia anterior.
Motivações da paralisação em Curitiba
Segundo Natanael Martini, diretor-tesoureiro do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc), a categoria já havia demonstrado flexibilidade em meses anteriores diante de outras falhas no cronograma de pagamentos. Contudo, a nova quebra de compromisso esgotou a paciência do grupo.
“A greve se iniciou hoje porque o salário já era para ser pago no quinto dia útil e hoje já é dia 15. A direção do hospital ainda não fez o pagamento. A gente tinha um acordo com eles que iam pagar ontem esse salário, mas eles não cumpriram o acordo”
Relatos de dificuldades e histórico de irregularidades
Além da remuneração retida, os profissionais denunciam outros problemas trabalhistas crônicos, como a ausência de depósitos regulares no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de atrasos recorrentes no vale-alimentação e no vale-transporte.
A colaboradora Geise Braga apontou que a falta de estabilidade financeira desorganiza o orçamento doméstico de quem depende exclusivamente do emprego hospitalar para honrar compromissos como aluguel e alimentação básica.
“Nós estamos com funcionários aqui há anos sem depósito de fundo de garantia. Zerado. Zerado. Não existe fundo de garantia nas contas dos funcionários. E isso a gente foi relevando. Só que agora começar a atrasar pagamento, atrasar o vale-alimentação, atrasar o vale-transporte”
“Nós dependemos daqui. A gente trabalha porque precisa. Nós temos contas para pagar, tem funcionários que têm aluguel para pagar, têm filhos pequenos em casa. Então, o atraso aqui gera uma bola de neve”
“A gente precisa que seja depositado o nosso pagamento e que fique tudo certo, tudo em dia. FGTS que eles venham pagar, que estão prometendo há anos e não é pago. Nós estamos nessa paralisação reivindicando um direito que é nosso”
Posicionamento da instituição de saúde
Em nota oficial, a direção dos Hospitais Vita justificou que os transtornos decorrem da fase final de implantação de um novo software de gestão administrativa e financeira, reiterando que a regularização financeira da equipe é tratada como prioridade máxima no momento.
“NOTA DE ESCLARECIMENTO – HOSPITAIS VITA
Os Hospitais VITA informam que tomaram conhecimento do movimento iniciado por parte dos colaboradores.
A instituição esclarece que segue em processo de implantação e estabilização de seu novo sistema de gestão hospitalar, conforme informado anteriormente, o que ainda impacta temporariamente os fluxos administrativos e financeiros.
Trata-se de uma situação pontual e já em fase final de efetivação.
A Direção reforça que normalizar a situação junto aos colaboradores é prioridade absoluta e que, tão logo ocorra a efetivação financeira esperada, a situação será integralmente normalizada.
O VITA mantém diálogo aberto e permanente com o sindicato e com os representantes dos colaboradores. Da mesma forma, acompanha com atenção especial para que a manutenção do efetivo mínimo necessário para garantir a continuidade e a segurança da assistência aos pacientes, conforme prevê a legislação para serviços essenciais de saúde.
A instituição informa ainda que um plano de contingência assistencial foi acionado com o objetivo de preservar a continuidade dos atendimentos assistenciais nas duas unidades.
Hospitais VITA”
Enquanto as negociações prosseguem com o sindicato, a administração garantiu que um plano de contingência foi acionado para assegurar a manutenção do efetivo mínimo exigido por lei em serviços essenciais, preservando a segurança dos atendimentos nas unidades afetadas.







