O Rock Camp Curitiba iniciou uma campanha de financiamento coletivo com o objetivo de arrecadar R$ 6.322 mensais para custear as despesas de sua sede própria. A iniciativa busca garantir a sustentabilidade financeira da organização feminista, que atua desde 2018 voltada para meninas, mulheres e dissidentes de gênero na capital paranaense.
A música como ferramenta de transformação social
Nas colônias de férias promovidas pelo projeto, as participantes aprendem a tocar instrumentos, formam bandas, compõem canções e participam de oficinas criativas. A metodologia utiliza a arte para estimular o empoderamento, o trabalho em grupo e a ocupação de espaços tradicionalmente masculinos.
“A gente usa a música porque ela permite trabalhar muitas coisas ao mesmo tempo. Quando uma criança entra em banda, ela precisa aprender a ouvir, a se posicionar, a confiar nas outras pessoas e também em si mesma. O que queremos é que ela leve essas experiências para outros momentos da vida. Não estamos preocupadas apenas em formar músicas ou bandas, mas em ajudar a formar pessoas mais seguras de quem são e do que podem fazer”, explica Carla Del Valle, coordenadora do projeto.
Nova sede amplia impacto comunitário durante todo o ano
Antes limitada à semana anual de atividades intensivas, a conquista de uma sede fixa permitiu que a organização expandisse suas operações. Atualmente, o local serve para armazenamento de equipamentos, realização de reuniões e planejamento de ações culturais, com planos de abrigar oficinas e rodas de conversa permanentes.
“Ter uma sede muda muito a maneira como podemos pensar o futuro do Rock Camp. Durante anos, fizemos muita coisa com os recursos e os espaços que conseguíamos reunir. Agora temos uma casa, e queremos aproveitar essa conquista para desenvolver atividades que antes eram muito mais difíceis de realizar”, diz Carla.
Como funciona a campanha de financiamento coletivo
Para arcar com custos fixos que envolvem aluguel, contas de consumo, internet, limpeza e segurança, a instituição lançou a campanha “Uma sede para o Rock Camp Curitiba” na plataforma Apoia.se. As doações são recorrentes, com valores a partir de R$ 15 mensais, permitindo a construção de uma rede sustentável de colaboradores.
“Nosso trabalho sempre foi feito de maneira coletiva, com ajuda de muita gente. Não esperamos que poucas pessoas assumam o custo da sede. Queremos construir uma rede em que cada pessoa possa ajudar como conseguir. Uma contribuição de R$ 15 por mês, somada a muitas outras, pode fazer uma diferença enorme para a continuidade do nosso trabalho”, afirma a coordenadora.
Resistência política e compromisso com os direitos humanos
Fundamentado nos princípios do feminismo interseccional, o projeto reforça que a atuação social vai muito além do calendário eleitoral e das urnas, mantendo o foco na proteção de minorias e no enfrentamento às desigualdades sociais.
“É impossível acompanhar o que está acontecendo no país sem pensar nas consequências para as pessoas com quem trabalhamos. Temos esperança de que as escolhas feitas nas eleições não tragam novos retrocessos, mas sabemos que não podemos depender disso. Nosso compromisso com esses grupos continua, seja qual for o cenário político que encontrarmos pela frente”, afirma Carla Del Valle.
A iniciativa também busca parcerias com empresas interessadas em ações de responsabilidade social, enquanto simpatizantes sem recursos financeiros podem colaborar compartilhando a campanha nas redes sociais.
“Direitos que levaram décadas para ser conquistados podem ser perdidos. E lutar para mantê-los exige dedicação, organização e muito trabalho. Não sabemos exatamente o que nos espera nos próximos anos, mas sabemos qual é o nosso papel. Estamos prontas para continuar fazendo a nossa parte, independentemente do que aconteça”, conclui Carla.







