A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, optou por desativar seu perfil na rede social X, anteriormente chamada de Twitter. A decisão ocorreu em razão de uma onda de intimidações pesadas que englobam ameaças de morte e violência sexual, iniciadas ainda durante o período de campanha eleitoral em Minas Gerais.
Investigação policial e vulnerabilidade A parlamentar já formalizou a denúncia perante a Polícia Civil de Minas Gerais. Segundo seu relato, os ataques virtuais combinaram conteúdos machistas, racistas e recados de estupro.
O agravamento da situação ocorreu após uma viagem a Brasília na quinta-feira (8), data em que participou do reforço à campanha digital de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A partir desse momento, a equipe constatou uma ofensiva articulada contra os canais da jovem.
“Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaças de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país. O debate político para mim, nunca foi sobre isso. A minha equipe desativou a minha conta no Twitter, porque nós estávamos recebendo ameaças de morte a cada dois minutos. A ameaça de morte e ameaça de estupro”
Sem escolta oficial, a política destacou que se encontra em situação de extrema vulnerabilidade. Ela já havia tornado público um e-mail alarmante recebido no dia 5 de setembro, no qual o remetente afirmava integrar a facção extremista Ku Klux Klan. O texto continha injúrias contra mulheres negras em cargos de poder e descrições explícitas de violência sexual.
Recordes históricos nas urnas Natural de Divinópolis, no centro-oeste mineiro, a estudante de direito e ex-estagiária do TRT-MG alcançou a marca de 524.219 votos em 2026. O desempenho expressivo a consolidou como a segunda candidata mais votada do estado para a Câmara dos Federal, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL).
Além disso, Ana Elisa quebrou recordes ao se tornar a mulher mais votada da história mineira para o Legislativo federal e a congressista mais jovem já eleita na história do país. Sua projeção nacional cresceu através de conteúdos digitais sobre pautas sociais, feminismo, educação e combate ao racismo, acumulando atualmente mais de 3 milhões de seguidores no Instagram.
Crescimento da violência política O caso da parlamentar ilustra um cenário alarmante mapeado por entidades civis. No final de setembro, um dossiê entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) documentou diversas ocorrências de hostilização, agressões verbais e físicas, além de ameaças extremas contra candidatas. Estatísticas da própria Corte revelam que os episódios de violência política de gênero dispararam 11 vezes entre 2022 e 2026.
Canais de denúncia e apoio Vítimas ou testemunhas de violência política de gênero podem buscar auxílio em múltiplos órgãos oficiais de proteção e investigação:
Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: canal gratuito e confidencial que funciona 24 horas por dia por telefone, WhatsApp (61) 9610-0180, e-mail central180@mulheres.gov.br e atendimento em Libras; Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público; Procuradoria-Geral Eleitoral, via Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal; Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); Polícia Federal, por meio da plataforma Comunica PF e delegacias estaduais; Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União (DPU) para suporte jurídico.
Em situações emergenciais e de risco imediato, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar através do telefone 190.







