–:–:–
Conecte-se conosco

Cidade submersa no Egito esconde templos e tesouros milenares

Pesquisas submarinas apontam que abalos sísmicos e liquefação do solo provocaram o colapso gradual do polo portuário de Thonis-Heracleion.

39 visualizações
Debaixo do Mediterrâneo, mergulhadores encontraram templos, joias e restos de uma cidade que desapareceu após terremotos e subsidência

Repousando a poucos quilômetros da costa de Alexandria, na baía de Aboukir, a antiga metrópole de Thonis-Heracleion permaneceu praticamente oculta da história moderna durante séculos. Hoje, o sítio arqueológico subaquático transformou-se em uma das maiores fontes de dados sobre como catástrofes naturais e alterações geográficas lentas foram capazes de apagar do mapa um dos portos mais movimentados do Egito Antigo.

O que causou o colapso e o naufrágio da cidade

O desaparecimento do centro urbano não ocorreu por uma simples elevação súbita das marés. Pesquisadores constataram que a geografia frágil da foz do rio Nilo, composta majoritariamente por camadas sedimentares moles, deixou os edifícios em estado de vulnerabilidade contínua contra a instabilidade do terreno.

A conjugação de fortes tremores de terra com o rebaixamento progressivo da crosta — processo conhecido como subsidência — desestabilizou as fundações urbanas. Sob o impacto dos abalos sísmicos, o solo encharcado sofreu liquefação, perdendo temporariamente a rigidez estrutural e comportando-se como um fluido. Esse colapso do terreno acelerou a invasão das águas marítimas e selou o destino de bairros inteiros ao longo de séculos.

Relíquias monumentais preservadas sob as águas

Mapeamentos sistemáticos iniciados em 1996 revelaram que o fundo do mar preservou um acervo valioso em excelente estado. Mergulhadores e arqueólogos localizaram as bases de santuários colossais, colunas ornamentadas, estátuas imponentes de deuses egípcios e governantes, além de estelas com inscrições detalhadas.

Objetos do cotidiano e peças cerimoniais reforçam o perfil multifacetado do local. Foram catalogadas joias, moedas de diferentes períodos, artefatos rituais e cerâmicas. Assim como os estudos desenvolvidos em torno dos blocos caídos do Farol de Alexandria, esses fragmentos arquitetônicos oferecem parâmetros claros sobre os métodos de construção e a rotina social da Antiguidade.

Entreposto estratégico e elo cultural no Mediterrâneo

Por sua posição privilegiada, Thonis-Heracleion funcionava como porta de entrada alfandegária e entreposto de trocas mercantis, conectando canais fluviais internos às principais rotas marítimas mediterrâneas. O local recebia viajantes, comerciantes e delegações de várias regiões, integrando política, fé e economia em um mesmo espaço.

A variedade de itens resgatados comprova que o povoamento não foi interrompido de uma hora para outra. Os vestígios contemplam múltiplos séculos de atividade contínua antes do abandono definitivo. O registro preservado debaixo d’água fornece informações sociais que superam as fontes documentais escritas, processo analítico similar ao aplicado nas investigações sobre o naufrágio de Anticítera, na Grécia.

Técnicas e desafios da arqueologia submarina

O processo de exploração coordenado pelo Instituto Europeu de Arqueologia Submarina envolve levantamentos geofísicos avançados, análises sedimentares e escavações de precisão. O trabalho vai além do resgate de antiguidades, exigindo o mapeamento tridimensional de cada elemento para entender o contexto histórico original.

Com grande parte das construções ainda coberta por lodo e areia, o sítio segue como um campo de pesquisa em aberto. A preservação dos materiais retirados da água salgada exige tratamentos químicos e cuidados imediatos para conter a deterioração rápida, mantendo vivas as evidências materiais da adaptação humana diante das forças do planeta.

Mais em Variedades

Ver tudo →