O impacto recente de um pedaço de foguete da SpaceX na Lua, que abriu uma nova cratera no satélite, trouxe novamente à tona a discussão sobre a poluição deixada pela humanidade fora da Terra. A superfície lunar já acumula cerca de 3 mil equipamentos feitos por humanos, totalizando aproximadamente 209 toneladas de detritos entre fragmentos de missões e até mesmo 96 sacos de fezes, urina e vômito deixados por astronautas da NASA durante as missões Apollo.
Enquanto a Lua acumula esses rejeitos, a situação na órbita terrestre é ainda mais urgente. Dados da Agência Espacial Europeia divulgados em julho mostram que cerca de 47 mil objetos espaciais orbitam o planeta, somando cerca de 17 mil toneladas de satélites desativados, peças descartadas e fragmentos de colisões anteriores.
O perigo da Síndrome de Kessler
O cenário lembra a animação “WALL-E” (2008), que retrata um cinturão de lixo ao redor da Terra. Esse conceito é estudado cientificamente por meio da chamada Síndrome de Kessler, premissa consolidada em 1978 por Donald Kessler e Burton Cour-Palais que aponta o risco de colisões em cadeia no espaço.
Quanto mais objetos ocupam a órbita, maiores as chances de choques, gerando ainda mais fragmentos e criando uma barreira intransponível que pode inutilizar faixas orbitais inteiras por décadas ou séculos.
Divisão das órbitas e o tráfego espacial
A poluição orbital afeta diferentes faixas ao redor do planeta, com destaque para a órbita baixa terrestre, localizada até 2 mil km de altitude, que abriga estações espaciais e a rede Starlink, sendo a região mais congestionada.
As demais divisões incluem a Órbita Média da Terra de até 20 mil km com satélites de GPS, a Órbita Geoestacionária a 35.786 km com equipamentos de comunicação e meteorologia, e a Órbita Alta acima desse limite para coleta de dados científicos.
Como limpar a órbita terrestre
Apesar do desafio, missões e estudos buscam formas de recolher ou expulsar esses fragmentos para o espaço aberto. Um levantamento da Universidade de Chicago indica que a Síndrome de Kessler pode ser desencadeada entre 2040 e 2184, dependendo do ritmo de lançamentos.
Diante do impasse, astrônomos do Outer Space Institute buscam levar o debate à ONU para estabelecer maior controle e responsabilidade internacional sobre o fluxo de satélites enviados ao espaço.







